A avaliação do setor da Construção Civil no mês de julho registrou um leve aquecimento na principal cidade do Alto Tietê, segundo pesquisa feita pelo Sindicado da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base em informações do Ministério do Trabalho e Emprego. Na região, cinco cidades foram avaliadas no mês de julho e somente Mogi das Cruzes registrou contratações no período. Foram 208 profissionais formais admitidos, fechando o mês com 8.603 profissionais atuantes no setor, um aumento de 2,48% sobre junho.
A cidade de Poá foi uma das que demitiu no período. Foram 48 postos de trabalho encerrados no mês, totalizando 1.521 trabalhadores ativos, 3,06% menos que em junho deste ano. Em Guararema, 27 trabalhadores foram desligados e, em Itaquaquecetuba, 18. Em julho, a cidade de Suzano manteve o mesmo número de profissionais ativos de junho, 2.436.
Segundo o diretor do SindusCon-SP em Mogi das Cruzes, Mauro Rossi, as contratações em Mogi não representam um aquecimento do setor, mas sim algo pontual. "Temos muitas obras públicas em andamento no município e isso está fazendo com que novas contratações aconteçam. Nas demais cidades, os desligamentos também são reflexo de obras sazonais que fazem com que contratações e demissões aconteçam periodicamente. Infelizmente ainda não é possível prever uma retomada do setor para os próximos meses", destaca.
No Estado
Em junho, houve queda de 1,32% no emprego em relação a maio, com redução de 9,86 mil vagas. O estoque de trabalhadores foi de 746,1 mil em maio para 736,3 mil em junho. Desconsiderando a sazonalidade**, houve queda de 2,20% (-16,4 mil vagas).
No período, o segmento imobiliário respondeu pelo pior desempenho (-1,80%), acompanhado por de obras de instalação (-1,65%).
Na capital, que responde por 45% do total de empregos no setor, a queda em junho em relação ao mês anterior foi de 1,62% (-5.465 vagas). Em 12 meses, São Paulo registrou retração de 13,32%.
No Brasil
Em junho, a construção civil brasileira registrou queda de -1,18% no nível de emprego na comparação com maio - a 21ª queda consecutiva (desde outubro de 2014). Com o fechamento de 33,02 mil postos de trabalho, o saldo de trabalhadores ficou em 2,76 milhões.
Com o corte de 139,1 mil vagas no primeiro semestre de 2016, o saldo em 12 meses é de - 465 mil postos de trabalho. Desconsiderando efeitos sazonais*, o número de vagas fechadas em junho foi de 43,8 mil (-1,56%).
O presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, observa que o nível de emprego na construção brasileira retrocedeu ao patamar registrado em 2009 e deverá cair ainda mais, se não forem adotadas medidas emergenciais para estimular a atividade do setor.
"O número de vagas fechadas na indústria da construção desde 2014 deverá ultrapassar 1,1 milhão até o final de 2016. Isto representa 30% do total de trabalhadores que o setor chegou a empregar antes da crise. Mas o setor voltará a empregar rapidamente se medidas urgentes destinadas à expansão da infraestrutura e à contratação de habitação popular forem tomadas, junto com o lançamento de novas concessões e Parcerias Público-Privadas. Este esforço precisa envolver tanto a União como os estados e os municípios", afirma.