O prefeito afastado de Ferraz de Vasconcelos, Acir Filló (sem partido), propôs acordo de delação premiada ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). No documento, que foi protocolado na semana passada, o político afirma que pode revelar esquemas de corrupção envolvendo verbas do Fundo Metropolitano de Financiamento e Investimentos (Fumefi) e ainda acusa o governador Geraldo Alckmin (PSDB) de omissão.
De acordo com o político, o objetivo de delatar as irregularidades é "limpar a honra" dele e da família, após denúncias de improbidade administrativa, que resultou na desocupação do cargo de prefeito. "Meu afastamento foi baseado em documentos e apurações com documentos falsos, em que o MP não teve o profissionalismo de investigar, e induziu o juiz ao erro. Todavia, eu digo que o juiz que me afastou é honesto e justo, porém, foi induzido ao erro", ressaltou Filló. "O MP aceitou as denúncias com base em boatos e jogou na mão do judiciário. Isso prejudicou minha carreira política".
O prefeito afastado ainda classifica seu afastamento como "aberração jurídica" e afirma que cometeu "vários erros durante a gestão, mas não cometeu crimes". Caso a procuradoria aceite a delação, Filló diz que vai revelar diversos esquemas de corrupção envolvendo outras prefeituras e câmaras municipais, incluindo ainda ilegalidades implicando o PSDB, partido do qual foi expulso. O político ainda diz que o governo do Estado também será delatado, pois há irregularidades com o Fumefi. "É um esquema de corrupção e muito maior e mais grave que a Lava Jato", comparou.
Segundo Filló, o governador de São Paulo também tinha conhecimento dos esquemas de corrupção com o Fumefi e outros órgãos, que ele só revelará na delação. "O Alckmin é, sem dúvida, um dos políticos mais pobres, porque ele não recebia um centavo. Mas ele foi omisso e covarde, pois sabiam de todos que roubavam. Eu convivi durante 15 anos com o Geraldo Alckmin. Sou autor da biografia dele. Tive convívio pessoal e ele ainda foi meu padrinho de casamento".
Filló se mostrou revoltado, pois afirma que, durante esses quase 12 meses afastado, foi acusado, mas nunca foi ouvido para dar sua versão dos fatos. O ex-tucano ainda destacou o fato de ter sido expulso do PSDB e se diz indignado com o "abandono" da chapa.
Suborno
Acir Filló revela ainda um suposto pedido de suborno do presidente do diretório do PSDB de Ferraz, Clóvis Caetano, responsável pelo pedido de expulsão do político da legenda. O ex-tucano afirma que Clóvis pedia dinheiro para ajudá-lo a tentar se reeleger. "Ele já me pediu R$ 400 mil, R$ 500 mil para permitir a minha candidatura. Cada hora pedia um valor", contou.