Analisando o chamado "minirreforma eleitoral", o sociólogo Afonso Pola ajuda a entender o processo de mudança. Para ele, a reforma passou a interferir no processo de conhecimento dos candidatos, que passaram a buscar outras plataformas para promoverem as suas campanhas.
"Em primeiro lugar, é importante destacar que estamos diante da primeira eleição realizada sob o impacto das revelações da Operação Lava Jato. Mesmo que ainda não tenha ocorrido uma profunda e indispensável reforma política para depurar um sistema putrificado, algumas mudanças já estão em vigor e somam-se àquelas que foram implementadas a partir da Lei Complementar nº 135/2010, chamada Lei do Ficha Limpa criada por meio de iniciativa popular", disse.
Dentre as mudanças na reforma eleitoral, ele explica. "Além de uma série de restrições nas ações de campanha, houve a redução de seu tempo, inclusive nas propagandas veiculadas pelo rádio e televisão e a proibição de doações por empresas. Com isso, os candidatos buscaram novas formas de garantir a visibilidade. No entanto, aqueles que já possuem mandato e buscam a reeleição saem na frente porque são mais conhecidos e já possuem uma estrutura montada a partir de seus gabinetes. Portanto, creio que todas essas limitações criam dificuldades para maior exposição dos candidatos, mas em função da superficialidade do que é comunicado pela maioria dos que concorrem a cargos eletivos, isso interfere pouco no processo de conhecimento dos mesmos pelo eleitor."
Em relação ao uso da internet para as promover as campanhas ele comentou. "A internet tem se constituído em importante meio de comunicação para todos os setores da sociedade. Isso também vale para a atividade política. Os partidos, candidatos e os diversos movimentos sociais usam cada vez mais as redes sociais para passar suas mensagens e para mobilizar seus seguidores", concluiu.