A Procuradoria Municipal de Ferraz de Vasconcelos executou busca e apreensão de documentos na casa e na clínica do ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos Jorge Abissamra (PSB), com o propósito de encontrar provas de mais uma possível fraude em licitação e de enriquecimento ilícito do político, no período de 2010 a 2012. A empresa e os secretários municipais envolvidos na época também são alvos de investigação por improbidade administrativa e desvio de verbas públicas.
Na ocasião, os procuradores do município e os oficiais de Justiça, com o apoio da Polícia Militar, também executaram mandados de busca e apreensão no comitê da esposa dele, Elaine Abissamra (PSB), a Dra. Elaine, que concorre como candidata a prefeita de Ferraz. No entanto, nada foi encontrado no local.
A ação de ontem, que ocorreu em Suzano e em Ferraz, foi motivada pela contratação da empresa DBW Ltda. para fornecer guias e sarjetas para a construção de ruas e calçadas quando Abissamra era prefeito. No entanto, a firma, que teria recebido mais de R$ 3 milhões, nunca prestou o serviço na cidade.
O procurador municipal Gabriel Nascimento Lins de Oliveira explicou que a Procuradoria requereu o bloqueio de bens e patrimônio de Jorge Abissamra e de todos os réus envolvidos, entre eles os ex-secretários municipais de Assuntos Jurídicos, Flávio Henrique Moraes; Assuntos Urbanos, Josias Alves Genuíno, que era responsável por fiscalizar a execução das obras pela empresa; e o presidente da Comissão de Licitação da época, Marcos Antônio Barros.
"A empresa se valia de documentos falsos para ganhar o certame. Toda a fraude começou no momento anterior ao embolso do dinheiro público. Houve um direcionamento do processo licitatório para que essa empresa ganhasse. Curiosamente, a DBW não provou que prestou o serviço", destacou o procurador.
"Na qualidade de prefeito, Jorge Abissamra tinha a obrigação legal de exigir os documentos e provas de que os materiais teriam sido entregues no município e não existem provas de que ele tenha feito esse controle. O ex-prefeito liberou o dinheiro público, mas não existem comprovações de que o serviço foi, de fato, executado e que os materiais teriam sido liberados", disse, lembrando que, diante das circunstâncias, a Procuradoria vai avaliar os patrimônios localizados e que os réus também terão o direito de apresentar defesa. "A Procuradoria vai brigar para que aqueles que lesaram os cofres públicos sejam responsabilizados".
Oliveira também estranhou a ausência do Ministério Público durante as ações de ontem. "A Promotoria foi convidada, mas não quiseram participar", disse.