A Medida Provisória (MP) que prevê a reforma do ensino médio, divulgado na última quinta-feira pelo governo Michel Temer (PMDB), repercutiu negativamente entre a categoria na região. Em Mogi das Cruzes, manifestações em reposta às mudanças já estão marcadas para acontecer na terça-feira.
O anúncio inicial da reforma estabelecia que a partir de 2017 os alunos passariam a ter mais horas de aulas e menos disciplinas, com metade do curso montado pelo aluno. Em nota, o Ministério da Educação (MEC) esclareceu em seu site, ainda na quinta, que não haverá corte de nenhuma disciplina.
"Não está decretado o fim de nenhum conteúdo, de nenhuma disciplina. Do que a Base Nacional definir, todas elas serão obrigatórias na parte da Base Nacional Comum: artes, educação física, português, matemática, física, química. A Base Nacional Comum será obrigatória a todos. A diferença é que quando você faz as ênfases, você pode colocar somente os alunos que tenham interesse em seguir naquela área. Vamos inclusive privilegiar professores e alunos com a opção do aprofundamento", explicou o secretário de Educação Básica do Ministério da Educação, Rossieli Soares.
De acordo com a coordenadora da subsede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) de Poá e Ferraz de Vasconcelos, Jucinéia Benedito dos Santos, a MP gerou muitas dúvidas entre os pais e alunos das escolas da região. "Do nosso ponto de vista, a decisão mostra uma total incompreensão e inconsistência do que é o sistema de educação no País. Para os pais que realmente participam da vida estudantil de seus filhos, é um momento de preocupação com a educação dos mesmos a partir de agora", declarou.
Para a coordenadora, o correto seria apresentar o projeto e abrir uma discussão com a população interessada. "A mudança vai acontecer, mas não sabemos quando e a rede pública de ensino será a mais afetada com a mudança. Vão ocorrer muitas migrações de profissionais efetivos do ensino médio para o fundamental. Alguns podem até ficar sem aulas. Há necessidade de uma mudança sim, mas não se trata de simplesmente eliminar disciplinas", concluiu.
Segundo Everaldo Lima de Andrade, professor há 20 anos de Educação Física em Mogi das Cruzes, uma manifestação está marcada para acontecer na terça-feira, 27, em resposta a MP. "Juntamente com a Apeoesp de Mogi, realizaremos um ato de manifestação que servirá como um alerta para mostrar que não aceitamos isso. Vamos realizar atividades físicas em frente a Escola Estadual Prof. Camilo Faustino de Mello, no bairro Socorro, a partir das 7h30. Não queremos mudança na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) que define a disciplina de educação física como opcional".
* Texto sob supervisão do editor.