Encontrar uma ou mais pessoas paradas em um determinado ponto da cidade olhando para o celular se tornou uma cena corriqueira para os brasileiros. Isso porque, na última quarta-feira, 3 de agosto, o jogo Pokémon Go, chegou às lojas de aplicativos Google Play e Apple Store. Após quase 20 anos do lançamento do anime japonês, os bichinhos com poderes voltaram a fazer sucesso, modificando a rotina dos mais novos "mestres". E o primeiro sábado de caça na região foi agitado. Antes mesmo das 12 horas era possível encontrar crianças, adolescentes e adultos entretidos com o game.
Os irmãos Henrique e Gabriel Queiroz, de 17 e 14 anos, estavam na Praça Assunção Ramires Eroles, no Mogilar, em Mogi das Cruzes. "Estou jogando desde a hora em que foi lançado no Brasil. Já peguei alguns até mesmo dentro de casa, mas o mais inusitado foi o 'Golbat', dentro da escola, no intervalo", conta Henrique, que já capturou mais de 500 pokémons. "Mas eu transferi os repetidos para o treinador, para poder evoluir no jogo", explica o garoto, que todos os dias depois da escola sai para capturar, e já conquistou alguns ginásios.
O caçula Gabriel diz que baixou o jogo por influência do irmão. "Eu assisti ao desenho, mas baixei porque o Henrique disse que era legal. Nosso pai também gosta, inclusive está jogando".
Em Poá o cenário não era diferente. Aproveitando o wi-fi liberado da praça da Bíblia, na região central, dezenas de pessoas foram à caça, como por exemplo o educador Fernando Bethriz, de 23 anos, que tem entre as suas principais capturas um "Snorlax". Em relação à segurança, ele diz que não vê interferência. "É só mais um aplicativo. As redes sociais já fazem com que o risco de assalto aumente. As pessoas não vão deixar de olhar o Facebook ou o WhatsApp porque estão na rua, então é só algo a mais".
Josiel Mobuto, 25 anos, fotógrafo e "vlogueiro" ao lado de Fernando, conta que a sua intenção não era deixar o jogo interferir em sua rotina. "Quando eu comecei a jogar, eu até falei 'não vou mudar a minha rotina, vou jogar só quando puder'. Só que hoje é sábado e eu saí para caçar Pokémon com a mochila nas costas. Quem que acorda em um sábado cedo só para isso?", diverte-se.
Para ele, mais do que fazer parte da infância das pessoas que nasceram a partir da década de 1990, o jogo tem o atrativo de se tratar de uma realidade aumentada.