Uma homenagem de amigos e comerciantes marcou o encerramento da loja mais tradicional de tecidos e aviamentos de Mogi das Cruzes. Para as mais de 100 pessoas que compareceram ao evento de fechamento da Casa São João, a palavra saudade resumia a sensação de ver o prédio fechar as portas. Amanhã será a última vez que a porta de chapa de metal será aberta pela comerciante Maria Helena Carneiro Cury, a dona Heleninha.
Do vasto volume de tecidos, botões, rendas e lantejoulas, pouca coisa sobrou depois da liquidação. O que restou da movimentada loja na rua Coronel Souza Franco, 461, foram os armários, balcões e a antiga caixa registradora, marca do prédio. Amigos e comerciantes organizaram uma surpresa para Heleninha, com direito ao Coral 1° de Setembro, grupo de seresta e carro de som.
O expedicionário Miled Cury Andere falou com carinho sobre a loja. "Sabia que poderia encontrar tudo que precisasse aqui. Sei disso desde minha infância, pois a loja foi fundada em 1932 e nessa época já estava vivo", ressaltou.
O padre Vicente Morlini contou que era amigo dos pais do comerciante Wilson Cury, marido de Heleninha, o casal Luiza e Salim Cury. "Fui vigário da Catedral de Santana e nos encontrávamos com facilidade. A Casa São João vai deixar saudades", acrescentou.
Heleninha recebeu duas placas de homenagem, uma do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Mogi e outra de amigos. Sem contar dezenas de vasos de flores que chegavam a toda hora, abraços, palavras de consolo e agradecimento. A lembrança que levará da loja será a do marido sentado a frente da caixa registradora. "Que pena que ele não está aqui. Vou fechar com chave de ouro e um pouco de tristeza. Nunca esperava uma demostração de carinho como essa", afirmou.