A Secretaria Municipal de Mogi das Cruzes realizou na manhã de ontem a reintegração de posse de uma área pública de 40 mil metros quadrados, localizada no Conjunto Jefferson da Silva. Duas famílias continuam vivendo no local e, para que elas desocupem o terreno, a Justiça precisará ser acionada.
Segundo o secretário responsável pela Pasta, Eli Nepomuceno, a ação realizada ontem deu continuidade aos trabalhos iniciados na semana passada. A guarda municipal e a Polícia Militar chegou ao local após denúncia feita por moradores da região. "Nós estivemos aqui na terça-feira da semana passada fazendo a reintegração de posse. Foram retiradas oito basculantes de materiais, como telhas e madeiras, que estavam sendo utilizados como demarcações. Mas, no sábado, eles decidiram começar novamente a ocupação e hoje nós voltamos para impedir que a invasão continue", disse.
De acordo com Nepomuceno, no primeiro momento haviam 80 lotes demarcados. Já ontem foram contabilizadas cerca de 20 desmarcações, além de duas casas de madeiras construídas e ocupadas. "Como nestes barracos já há pessoas morando, não é adequado retirá-las como fizemos com as demarcações. Então ainda hoje vamos entrar com o processo de reintegração de posse para que essas famílias saiam de uma forma legal. Mas é importante deixar claro que a legislação autoriza a retomada da propriedade quando é uma situação de início de invasão, que é o desforço imediato. E foi o que fizemos", comentou.
De acordo com a dona de casa, Rosemeire Elídio, de 28 anos, que é irmã de uma das moradoras que permaneceram no local, a família não tem para onde ir. "Ela só construiu o barraco aqui porque não tem onde morar. Já tentaram o Minha Casa, Minha Vida, mas não conseguiram. Não recebem nenhuma assistência", contou.
A ação da Secretaria Municipal de Segurança preocupou moradores que vivem em outra área invadida, localizada na mesma via. É o caso da dona de casa, Josemeire Barbora, 24, que há dois anos reside no local, com o marido e uma filha. "Na terça-feira eles disseram que a gente vai ter que sair também. Estamos com medo porque não temos para onde ir. Aqui a gente já não tem nada. Usamos a água do córrego para lavar roupa e tomar banho", contou.