A partir de agora, os partos de cesarianas a pedido da gestante só poderão ser realizadas a partir da 39ª semana de gestação. A determinação do Conselho Federal de Medicina (CFM) é avaliada de forma positiva por especialistas do Alto Tietê.
A nova regra que foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) de ontem tem como base um estudo elaborado em 2013 pelo Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, que classifica a gestação a partir de 39 semanas como o período "gestação a termo", ou seja, quando o bebê não é prematuro e já se desenvolveu por completo.
Anteriormente, as cesarianas eram autorizadas a partir das 37 semanas de gestação, o que segundo o CFM, representava um risco para a saúde da criança, uma vez que nesta etapa o feto ainda está desenvolvendo o cérebro, os pulmões e o fígado, por exemplo.
Para o pediatra neonatologista, Fabiano Fonseca, a determinação é bastante positiva, principalmente considerando estes riscos. "É sabido e validado que o parto cesárea oferece mais riscos para o binômio mãe-bebe, ainda mais se for antes de 39 semana já que o bebê pode ter deficiências no aparelho respiratório, sistema nervoso central e fígado. Além disso, sabemos que muitas mães não sabem precisar a data da última menstruação e não fazem ultrassonografia antes das 12ª semana, os quais precisam a idade gestacional. Sendo assim, acaba sendo frequente cesáreas eletivas em pretermos tardios (bebês entre 35 a 37 semanas) pensando que já são de termos (38 semanas ou mais). Estes apresentam riscos aumentados para icterícia, hipoglicemia e distúrbios respiratórios por exemplo", disse.
Opinião semelhante é a do médico obstetra Francisco Moacir Bezerra de Melo Filho, que atende na Santa Casa de Mogi das Cruzes. "Eu achei ótima essa medida. Agora a gente passa a ter uma norma que determina que seja feita uma cesariana com uma probabilidade segura da criança não nascer prematura. Porque antes os riscos do bebê nascer antes do tempo e apresentar algum problema de saúde eram muito grandes", avaliou.
Segundo Bezerra, a mudança deve impactar a rede privada. "Na rede pública a gente já tem esse ideal de priorizar os partos normais, de forma que as cesarianas ocorrem apenas quando se trata de uma gestação de risco. Já as maternidades particulares possuem o índice de cesárias elevadíssimo, chegando a 90%", concluiu.