Nos últimos três meses a Santa Casa de Mogi das Cruzes está realizando cerca de 100 partos acima da média registrada para o período. O alerta foi dado pelo presidente da Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal, o vereador Francisco Moacir Bezerra de Melo Filho, o Chico Bezerra (PSB), que atua como médico no hospital. De acordo com ele, a Santa Casa está fazendo cerca de 460 partos por mês enquanto o habitual é que 370 procedimentos sejam realizados. Para Bezerra, o aumento na procura é causado pela vinda de gestantes de municípios vizinhos.
Para se adequar à demanda crescente de partos, a Santa Casa vai inaugurar uma sala de espera para as mulheres que recebem alta. O espaço contará com poltronas e berços para acomodar o bebê. "Nenhum gestante está recebendo alta antes do prazo. Em alguns casos, a mãe recebe alta, mas o bebê precisa fazer algum tipo de exame, neste caso ela será levada para esta sala, assim, o leito poderá ser utilizado por outra mulher. Serão instalados cerca de 10 a 15 poltronas", detalhou o vereador.
Segundo Bezerra, a preocupação do hospital é com o aumento expressivo na demanda, já que a situação pode trazer riscos. "No passado já tivemos problemas com infecções. Hoje, os nove leitos da UTI Neonatal estão ocupados, sendo que quatro são de crianças vindas de fora de Mogi. Já estamos enfrentando esta situação há algum tempo. Tem dia que 28 partos são feitos, enquanto o normal era realizar 15", destacou.
O vereador afirmou que muitas gestantes tem buscado atendimento em Mogi, pois as outras cidades não oferecem. "Cerca de 30% dos partos são de gestantes de fora, como Suzano. Recebemos pacientes de vários locais, até mesmo da Zona Leste de São Paulo. É preciso que estes municípios assumam suas responsabilidades. Todas as mulheres que chegam em trabalho de parto são atendidas. Muitas vezes elas utilizam os leitos destinados a convênios. Assim, a Santa Casa acaba não recebendo este recurso para atender a demanda", acrescentou.
Segundo a Prefeitura de Suzano, o atendimento na maternidade da Santa Casa da cidade funciona normalmente.
Projeto retirado
Durante a sessão de ontem, o vereador Caio Cunha (PV), retirou o projeto de lei que obriga que estabelecimentos ofereçam cadeiras de rodas motorizadas aos deficientes físicos. A decisão foi adotada pelo parlamentar depois que a Comissão Permanente de Justiça e Redação apresentou parecer contrário à proposta. Foi apontado, por exemplo, que já existe uma lei Estadual que trata do assunto e o alto valor da multa para o comerciante que descumprisse a determinação (R$ 38 mil o descumprimento e R$ 76 mil reincidência). A atitude foi tomada depois uma hora de discussão acalorada no plenário.