Cerca de 60 bancários paralisaram os serviços durante todo o dia de ontem, em protesto às demissões que ocorreram nos últimos cinco meses. A greve aconteceu apenas na agência do Bradesco localizada no centro de Suzano. As demais unidades da região prestaram atendimento normalmente. A falta de prestação do serviço naquela agência trouxe consequências à população, que foi pega de surpresa na porta do estabelecimento.
Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Mogi das Cruzes e Região, Francisco Candido, 13 trabalhadores foram demitidos sem justa causa, fato que motivou a movimentação. "O banco está demitindo muito, por isso fizemos essa paralisação somente no dia de hoje (ontem), em protesto a esses desligamentos. Nada justifica as demissões, o banco continua lucrando muito", destacou o sindicalista. "Em 2015, o banco teve um lucro de mais de R$ 17 bilhões. No primeiro trimestre deste ano, lucrou mais de R$ 4 bilhões. Então nada justifica as demissões. O banco está na contramão da economia do País. E nós entendemos que não pode haver demissões por conta da atual situação econômica", argumentou.
Candido ainda explicou que a agência de Suzano foi escolhida para o ato por ser a unidade responsável por gerenciar outros bancos da região. Hoje, o atendimento será prestado normalmente. O sindicato ainda lembrou que as demissões ocorreram justamente durante o processo de transação envolvendo a compra do HSBC.
Consequências
Apesar de ter ocorrido por apenas um dia, a paralisação já trouxe consequências à população, que foi surpreendida com avisos de greve estampados na porta da agência bancária. "Eu preciso de ajuda no caixa eletrônico e não tem nenhum funcionário para dar auxílio", contou a auxiliar de produção, Jade Caroline, de 36 anos.
A técnica de enfermagem, Selma Passareli, 39, também se sentiu prejudicada, pois precisava retirar seu cartão para efetuar um saque. "Preciso sacar dinheiro e não tem ninguém para me atender. E o pior é que só posso retirar meu cartão nesta agência", queixou-se.
A paralisação nos serviços bancários também irritou o comerciante Albertino Vieira, 57. "Fui pego de surpresa. Não achei justo o sindicato tomar essa decisão sem aviso prévio à população", avaliou. "Perdi tempo e dinheiro vindo até aqui".