Leandra Leal não exagera quando diz que praticamente nasceu nas coxias de teatro. Quando tinha apenas 20 dias, sua mãe - a atriz Ângela Leal - precisou substituir a sua madrinha - a também atriz Tamara Taxman - no Rival, teatro da família localizado no Rio de Janeiro. Desde então, a intérprete da fogosa Kellen, de "Justiça", se habituou aos bastidores, câmeras e textos.
Além de atuar no cinema, teatro e tevê, Leandra toca a própria produtora, As Três Meninas, que realiza eventos sócio-políticos e culturais no Teatro Rival e, recentemente, estreou como diretora no documentário "Divinas Divas", que fala sobre a primeira geração de transformistas do Brasil. O acúmulo de funções está longe de cansar ou tirar o foco da atriz. Segundo ela, férias são usadas somente quando necessário, depois de um período de muita exposição ou grande desgaste. 
Amiga de longa data e atriz de vários trabalhos da autora de "Justiça", Manuela Dias, Leandra foi convidada por ela para participar da minissérie. O convite foi, ao mesmo tempo, surpreendente e arrojado. "Acho que só a Manu teria a ousadia para me chamar para um papel assim", diverte-se.
Frequentemente escalada para papéis de mocinha na tevê, a atriz acha que o público não estava acostumado a vê-la à frente de histórias dúbias e sensuais, como a Kellen. "Acho ótimo esse tipo de personagem. Inclusive, faria vários assim se eu tivesse a oportunidade", provoca. Além de causar a prisão de Fátima, interpretada por Adriana Esteves, Kellen armou para o próprio marido Douglas, de Enrique Diaz. "Ela era egoísta. Fazia as coisas pensando somente nela. Ao mesmo tempo em que era barraqueira e temperamental, uma pessoa fria", explica. 
Fazer um tipo completamente diferente na tevê foi um dos fatores que mais empolgou a atriz para o trabalho. Além disso, ela também admite uma vontade antiga de ser dirigida por José Luiz Villamarim. "Sou fã do que ele tem feito na tevê. Achei a equipe desse projeto perfeita", celebra Leandra. "Justiça" chegou ao fim na última sexta-feira.