Valdomiro Pereira da Silva, que trabalhava na Delegacia Central de Suzano em 2005, na época dos ataques dos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) ao Distrito Policial (DP) e aos policiais civis, foi absolvido pela Justiça, em decisão final, da acusação que pesava contra ele de corrupção passiva. A absolvição em segunda instância é por não existir prova de que ele tenha concorrido para o crime.
Na ocasião dos fatos, os policiais civis Augusto Peña, José Roberto de Araújo e Carlos Alberto dos Santos teriam, conforme a denúncia, sequestrado Rodrigo Olivatto de Morais, que seria enteado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do grupo, a fim de extorquir dinheiro da facção criminosa. Morais foi mantido na delegacia em cárcere privado e orientado a ligar para o padrasto para negociar o seu resgate. As ligações eram gravadas pela própria polícia, o acordo teria sido firmado, porém, não fora cumprido, o que desencadeou os ataques, culminando, inclusive, em emboscadas, na morte de policiais e em disparos contra o prédio do plantão da delegacia.
Valdomiro, que era investigador da equipe na época, teve seu nome envolvido no caso porque auxiliava nas investigações contra o tráfico. No entanto, a sua defesa afirmou que ele não tinha conhecimento da finalidade criminosa que se sucederia após a detenção de Morais.
Aliviado com a decisão da Justiça, ele disse: "Eu sinto por ter meu nome e de outros policiais sérios envolvidos nesta sórdida trama e agradeço a Deus por ter colocado promotores e juízes justos no meu caminho. Não desejo processar o Estado de forma nenhuma, até porque é necessário a busca da verdade real dos fatos. O meu interesse em voltar para a polícia sempre houve, mas não quero pensar nisso agora, pois só penso antes em agradecer pela vitória". (C.I.)