Após ficar dois anos em cárcere privado, uma jovem de 21 anos foi libertada anteontem à tarde depois de uma denúncia informar à Polícia Militar sobre o andamento do crime. O pai da vítima, o segurança Marcos André da Rocha Nunes, 46, era quem a mantinha trancada dentro de casa, segundo depoimento dela mesma, ao delegado de plantão do 2º Distrito Policial de Brás Cubas. O local do cativeiro era uma casa alugada, de fachada branca, localizada na rua Vereador Benedicto de Oliveira Flores, no bairro Jardim Esperança, em Mogi das Cruzes. O segurança foi preso em flagrante.
No depoimento, a vítima explicou que se mudou para a casa do pai logo após a morte da mãe, ocorrida em 2006. Entretanto, há dois anos, o segurança a vem mantendo presa dentro de um cômodo, passando fome, sofrendo de maus tratos, tendo bitucas de cigarros apagadas em seu corpo. Questionada, a jovem destacou que não sofreu abuso sexual por parte de Nunes.
Por certas vezes, a vítima também era algemada e ficava em condições precárias de saúde. Sem estudo ou mesmo lazer. A justificativa dada pelo suspeito aos policiais militares era que "precisava trabalhar e não queria que a filha tivesse relações sexuais com homens desconhecidos".
A reportagem esteve no local e conversou com uma das vizinhas do segurança, que preferiu não se identificar. Ela contou que nunca havia percebido algo de errado, nem mesmo gritos ou brigas. "Não imaginei que isso pudesse estar acontecendo lá. Eu mesma, nunca tinha visto esse homem por aqui. Conheço sim, o dono da casa, mas esse homem que estava morando, não".
A mulher somente desconfiou que tivesse algo errado quando percebeu as viaturas no local. "Aqui é muito tranquilo, achei estranho quando vi os carros da polícia. Aquela movimentação toda", destacou.
Ação da PM
O comandante do 17º Batalhão da Polícia Militar, o tenente-coronel Felício Kamiyama, comentou a ação dos policiais que estiveram no caso. "Fiquei, como qualquer cidadão ficaria, extremamente consternado com tamanha crueldade conferida por um pai em relação a sua filha. Ao mesmo tempo, fiquei feliz em saber que a menina achou em, seu triste caminho, uma pessoa para ajudá-la e tendo a PM como instrumento para a liberdade".
Kamiyama ainda rendeu elogios aos PMs que estiveram na ocorrência. "Estou orgulhoso pelo profissionalismo da sargento Fátima e do cabo PM Davi".