A Polícia Civil de Bertioga indiciou no final do mês passado uma das sócias da empresa União do Litoral, Daniela Carvalho de Soares Figueiredo, de 40 anos, e o gerente de manutenção da companhia, Adriano André do Vale, 45, no inquérito que apura a morte de 18 pessoas no acidente rodoviário ocorrido em 8 de junho do ano passado, no quilômetro 84 da rodovia Mogi-Bertioga (SP-98), quando alunos da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e Brás Cubas (UBC) retornavam para casa. Ambos foram ouvidos em 31 de janeiro, na delegacia da cidade.
O indiciamento ocorreu depois de oito meses do acidente e, segundo o inquérito ao qual a reportagem teve acesso, tanto o gerente de manutenção como a proprietária informaram que não houve qualquer reclamação por parte do motorista do ônibus, Antônio Carlos da Silva, que também morreu na tragédia, sobre os freios do veículo, apontado como determinante para o desastre de acordo com o laudo da perícia.
No depoimento, Adriano revelou que dias antes do acidente, os freios foram verificados, tendo ele mesmo supervisionado a ação, porém, segundo o seu entendimento técnico, não havia qualquer necessidade de trocar alguma peça e que o sistema estava em condições de operar. Sobre o motorista, o gerente revelou que era sempre ele quem dirigia o veículo, e que não havia qualquer queixa sobre o sistema de freios.
Por sua vez, Daniela revelou no depoimento que em todo final de trabalho, os motoristas entregam uma ficha conhecida como Pedido de Serviço Mecânico (PSM), mesmo que não tenha nada a ser realizado no veículo. No caso do ônibus acidentado, ela informou que o PSM não constava nenhuma reclamação.
Para José Beraldo, advogado de 12 famílias de estudantes que estavam no ônibus, o indiciamento de ambos deve ser comemorado. "Já conseguimos a primeira vitória, que é o indiciamento da proprietária e do gerente de manutenção". A reportagem também tentou falar com o advogado da empresa, mas ele não foi encontrado.