Uma confusão ocorrida na manhã de ontem, em uma escola do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na cidade de Guararema, terminou com quatro policiais civis feridos e outras duas pessoas machucadas. Elas ainda foram detidas por desacato. Tiros para o alto, para dispersar a multidão, também foram dados.
Segundo apuração feita pela reportagem, tudo teria começado porque policiais do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) foram até a escola Nacional Florestan Fernandes para cumprir um mandato de prisão contra uma mulher, emitida pela Justiça de Cascavel (PR).
Em nota, a Polícia Civil explicou que a polícia paranaense havia deflagrado ontem mesmo a operação 'Castra'. O intuito era prender 14 pessoas suspeitas de furto e dano qualificado, roubo, invasão de propriedade, incêndio criminoso, cárcere privado, lesão corporal, porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
Ligação com MST
Todas elas, segundo o comunicado, teriam ligação com o MST, sendo que Margareth Barbosa de Souza, estaria escondida dentro da escola de Guararema
Ao receber a solicitação de apoio, o Garra de Mogi das Cruzes seguiu até a unidade, e foi ai que a toda a confusão começou. "De acordo com os policiais civis, não obstante esclarecerem e cientificarem a advogada dra. Alessandra da Silva Carvalho sobre o motivo da diligência, surpreendentemente diversos moradores do local passaram a desacatar os policiais e, em seguida, tentaram agredi-los"
A Polícia paulista ainda destacou que eles foram cercados pelos moradores da região. "Os policiais ficaram encurralados num espaço do local e, sem que pudessem exercer outra maneira de se defenderem, tiveram que efetuar dois disparos de advertência ao alto, pois cerca de duzentas pessoas vieram em direção a esses policiais e, caso não tivessem agido daquela maneira, certamente seriam desarmados, linchados e quiçá mortos".
Outo lado
Já uma integrante do movimento, que preferiu não se identificar, disse que os agentes já vieram disparando. "Chegaram atirando e querendo entrar na escola, nossos trabalhadores fizeram uma barricada para não deixar (entrar). Eles não tem mandado. Estão atirando e ameaçando o tempo todo". Mais tarde a integrante confirmou que eles tinham um mandato de prisão, mas a pessoa procurada não estaria lá. "Depois que invadiram, entrando pela janela da recepção, mostraram um mandato porém não convinha. Não tinha ninguém com nome de pessoas matriculadas em estudo aqui". Duas pessoas ficaram feridas.
O Movimento Sem Terra, em sua página virtual, cobrou medidas contra a ação "O MST repudia a ação da polícia de São Paulo e exige que o governo e as instituições competentes tomem as medidas cabíveis nesse processo. Somos um movimento que luta pela democratização do acesso a terra no país e a ação descabida da polícia fere direitos constitucionais e democráticos".