A Polícia Científica do Guarujá iniciou os serviços de perícia no ônibus fretado que deixou 18 pessoas mortas na rodovia Mogi-Bertioga (SP-98), dos quais 17 eram estudantes universitários. Profissionais já trabalham na retirada das peças, que serão analisadas pelo Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo. Quem passou pelo posto rodoviário de Bertioga, ontem, onde o veículo está, já nota a presença dos peritos trabalhando para apurar as causas do acidente, que ocorreu na noite da última quarta-feira.
O fretado ficou muito danificado e o cenário era de ferragens distorcidas, poltronas rasgadas e grande parte da lataria destruída, o que deve dificultar o trabalho da perícia. No entanto, o tacógrafo (aparelho que registra a velocidade) foi encontrado intacto. A velocidade em que ele parou não foi informada até o fechamento desta edição.
Os primeiros depoimentos estão marcados para ter início amanhã, na Delegacia Central de Bertioga, onde alguns sobreviventes serão ouvidos. A Polícia Civil já escutou a primeira testemunha do acidente na última sexta-feira. O gerente Cézar Donizetti Vieira, de 34 anos, dirigia no trecho da ocorrência, quando notou que o ônibus descia em alta velocidade e chegou a arrancar o retrovisor e empurrar o veículo em que estava com a família. Em seguida, ele viu o fretado tombado na pista. As declarações dos estudantes também serão primordiais para descobrir as causas da tragédia.
Um dos estudantes que sobreviveu disse que teve a impressão de que o ônibus estava sem freio, quando o percebeu desgovernado. Ele lembrou, inclusive, que, no momento da curva, o veículo apenas tombou e bateu contra o paredão de pedra, na curva do quilômetro 84, da rodovia SP-98, no limite entre Mogi e Bertioga.