A maioria da população reprovou a decisão de alguns municípios do Alto Tietê de restringirem o acesso à vacina contra a gripe. Na última sexta-feira, o Ministério da Saúde autorizou a liberação das doses para todas as pessoas. No entanto, a decisão de ampliar o público-alvo da campanha ficou a cargo de cada prefeitura.
Na região, apenas Mogi das Cruzes disponibiliza a vacinação para todos. Em Suzano, Poá, Itaquaquecetuba e Ferraz de Vasconcelos o acesso às doses será mantido apenas para os grupos considerados prioritários.
Algumas pessoas disseram se sentir injustiçadas, já que todos estão sujeitos à gripe. As vacinas protegem contra os vírus H1N1, H3N2 e Influenza A e B, que são os causadores da síndrome respiratória aguda grave que atingem diretamente o pulmão, podendo levar a óbito.
"Acho errado manter apenas aos grupos prioritários, se o Ministério da Saúde autorizou a liberação", avaliou a operadora de telemarketing Janaína dos Santos, 35 anos, que mora em Suzano. "Eu, meus filhos e meus pais não conseguimos a imunização, porque não estamos no grupo de risco, mas também podemos ficar doentes".
A suzanense Aline Ribeiro, 24, tem bronquite e, por isso, está dentro do grupo considerado prioritário pela campanha. No entanto, ela conta que não conseguiu ser vacinada. "É muita burocracia para conseguir. Eu preciso apresentar um laudo médico para aplicarem a vacina em mim", lembrou.
A contabilista Priscila Barbieri, 39, não concorda com a restrição das doses, mas também acredita que todos podem ser imunizados se houver organização. "Os grupos prioritários devem ser vacinados primeiro, mas já que o Ministério da Saúde autorizou a liberação, a Prefeitura poderia fazer um cronograma para que todos os públicos fossem imunizados, como, por exemplo, começar a liberar para os adolescentes, depois para os adultos e assim sucessivamente, porque todos estão sujeitos à gripe", sugeriu.
Em Poá, a recepcionista Suzy Guimarães, 37, e o filho de 12 anos não conseguiram a imunização contra a síndrome respiratória aguda, pois não são do público-alvo da campanha. "Se não tomarmos a vacina também corremos risco e é injusta essa restrição", avaliou.
A dona de casa Neuza Gonçalves, 55, também acredita que o ideal é liberar as doses para todos. "Muitas pessoas que não estão no grupo prioritário deixam de tomar a vacina. Alguns nem querem. Por isso o acesso deveria ser para todos".
O poaense Samuel Rodrigues, 30, aproveitou que a campanha de vacinação foi estendida até sexta-feira e levou o filho de 6 meses para ser imunizado contra a gripe. Mas ele e a esposa não poderão ser vacinados, já que não são do público-alvo da ação. "Sou a favor do acesso para todos se houver doses suficientes. Caso contrário, é importante imunizar apenas quem se encontra no grupo de risco", avaliou.