Mais de 200 pessoas percorreram o centro de Suzano, em protesto pacífico, contra as reformas trabalhista e previdenciária. Os manifestantes se concentraram na Praça dos Expedicionários, às 10 horas. Com carros de som, faixas e gritando palavras de ordem, a passeata percorreu a rua General Francisco Glicério até a Praça João Pessoa, reunindo vários sindicatos e trabalhadores que apoiam a causa. A greve geral impactou agências bancárias e o transporte público.
O departamento de trânsito e a Polícia Militar estavam presentes durante todo o momento. Mas o tráfego de veículos na região sofreu impactos e seguiu com muita lentidão pelas ruas centrais da cidade. Algumas vias, inclusive, ficaram travadas durante o protesto.
Com carros de som, os sindicalistas pediam que os comércios também aderissem à greve e baixassem as portas. Embora o protesto tenha corrido de maneira pacífica, muitos estabelecimentos fecharam no momento em que a passeata se aproximava, em apoio e, ao mesmo tempo, com medo de represálias, como foi relatado pelos próprios comerciantes. "O protesto é válido, porque o objetivo é nosso também. Mas ficamos com medo de vandalismo. Só que o de hoje até que está bem organizado", avaliou o comerciante Everaldo dos Santos. Em Suzano, o movimento foi tranquilo e sem ocorrências, como ocorreu na capital. Até o meio-dia, o trânsito já estava normalizado.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Suzano e Região, Pedro Benites, se mostrou satisfeito com a adesão. "A participação está acima de nossas expectativas", disse. "É sinal de que o povo não quer essas reformas. Estão tirando os direitos dos trabalhadores e prejudicando a todos".
Para o presidente do Sindicato dos Químicos de Suzano e Região, Edson Alves da Silva, as manifestações podem ter continuidade nos próximos dias. "Vamos nos organizar melhor e os outros dias serão bem mais incisivos. Outras mobilizações vão acontecer e, certamente, conseguiremos impactar o governo. Eles verão que o povo está unido e que a gente vai se mobilizar mais", afirmou Silva. "Estamos retrocedendo à década de 1930, quando o trabalhador não tinha garantias de seus direitos. Quando Getúlio Vargas instituiu a CLT, os direitos começaram a ser assegurados. E agora o governo está arrancando. É um retrocesso nas garantias das leis trabalhistas", avaliou.
O professor Arlindo Viana, que é membro do Sindicato do Professores do Ensino Oficial do Estado (Apeoesp), frisou o fato de o ato de ontem ter sido histórico no País. "São cem anos da primeira greve geral no Brasil. A paralisação está sendo muito boa. Só com essa mobilização unificada é que conseguiremos barrar esse retrocesso em ataque a toda a classe trabalhadora".