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O prefeito de Suzano Rodrigo Ashiuchi (PR) vistoriou na manhã de ontem áreas dos Jardins Belém e Miriam, bairros alagados após o forte temporal que caiu na noite de terça-feira passada. Na oportunidade, o chefe do Poder Executivo solicitou ação de caráter emergencial de limpeza e de desassoreamento de dois córregos, além de um estudo técnico para canalização dos cursos d'água. Segundo o gestor, as medidas são necessárias em combate, de forma imediata, às possíveis enchentes. A vistoria teve início às 9h30, no Jardim Belém, e contou com a participação dos secretários e membros da Defesa Civil.
Suzano foi a cidade mais prejudicada pelo temporal, deixando dez famílias desalojadas no Jardim Belém. Ontem, o cenário ainda era de caos. Muitas ruas estavam cobertas pela lama, inclusive nas regiões próximas à Marginal do Una, na Vila Amorim. A Vila Maluf e o Parque Maria Helena também foram atingidos. A reportagem do Dat percorreu a cidade na manhã de ontem e se deparou com comerciantes e moradores fazendo a limpeza dos imóveis. Muita lama e vegetação saiam de dentro dos estabelecimentos. Também era possível notar a presença do lamaçal em alguns quintais e dentro dos cômodos das residências nas proximidades da Marginal do Una e no Jardim Belém, onde algumas famílias ficaram abrigadas na Escola Estadual Professora Jussara Feitosa Domeshke.
De acordo com relatos de moradores atingidos pela enchente, a água chegou quase na altura do pescoço na rua Expedicionário Adelino Américo Pedroso, na Vila Amorim e na rua Santa Rosa, no Jardim Belém. Os ventos e a quantidade de chuva eram tão intensos, que a água invadiu com força um comércio atacadista na rua Doutor Prudente de Moares, onde ocorreu até a queda de um muro.
A dona de casa Elizabeth Ferreira da Silva Mota, de 59 anos, ainda não sabe o que sobrou na casa em que mora. Ela tem um filho que sofre de deficiência mental e, no momento que a água invadiu a residência, ela tentava se salvar com o filho nos braços. "A Defesa Civil chegou em seguida, quando a água já estava na altura do peito, quase cobrindo a geladeira. Fomos trazidos para passar a noite na escola. Nem sei se já posso voltar para casa. Não faço ideia do que sobrou lá", contou, lembrando que perdeu alimentos e móveis.
Domingos de Oliveira, 48, que está desempregado, também sofreu prejuízos. Ele lembrou do momento de desespero que viveu, quando a água invadiu a casa onde mora com a família: "A água subiu muito e veio com lama e tudo. Tivemos que nadar e nos equilibrar na água dentro de casa, tentando salvar o que pudíamos", relatou. "Mas, ainda assim, perdemos eletrodomésticos, roupas, mantimentos e móveis. Tivemos que dormir na casa de parentes", contou.
Na Vila Amorim, o vendedor Marcelo Soares, 39, nem foi ao trabalho para calcular as perdas e organizar o pouco que sobrou. A marginal do Una transbordou durante o temporal e invadiu vários imóveis levando lama e até bichos. "Além da água que entrava em casa pela rua junto com ratos, havia ainda os ralos transbordando, com baratas e vários bichos", lembrou. "Ligamos para a Defesa Civil, mas ninguém apareceu e eu não tenho família por perto para me ajudar".
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