Com a proximidade do pagamento do 13º dos trabalhadores, as perspectivas seriam de elevação nas vendas dos comércios do Alto Tietê para o Natal. No entanto, para este ano, a expectativa não é tão otimista, como nos anos anteriores à crise econômica. As Associações Comerciais da região esperam manter o mesmo faturamento de 2015, sem perspectiva de crescimento, e acreditam que uma parcela do abono salarial dos consumidores deve ser utilizada para quitar dívidas.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Ferraz de Vasconcelos (Acifv), Samuel da Silva Rodrigues, os empresários estão trabalhando para manter o mesmo índice de vendas do ano passado e não sofrer queda no faturamento, já que a economia indica uma retração de 3%.
Rodrigues ainda lembrou que a segunda parcela do 13º deve ser usada para as compras de presentes de Natal. No entanto, frisou que muitos consumidores também usam o abono para o pagamento de contas e tributos. "Esse 'plus' no consumo pode ajudar na recuperação da economia local e regional".
De acordo com a Associação Comercial e Industrial de Itaquaquecetuba (Acidi) ainda não é possível estimar o faturamento para o final deste ano, já que parte dos comerciantes da cidade também acreditam que uma parcela do 13º salário dos consumidores deve ser utilizada para para pagamento de dívidas. A Acidi lembrou que o município tem 1.024 clientes negativados no Serviço Central de Proteção do Crédito (SCPC), o que totaliza R$ 1.428.506,00 em dívidas no comércio.
Apesar do alto índice de débitos, a Acidi acredita em um crescimento de 30% nas vendas de final de ano, se comparado com o mesmo período de 2015. "Essa previsão de acréscimo nas vendas tem um significado importante para os lojistas. O número representa a recuperação dos 10% negativos, registrados no mesmo período do ano passado, e o crescimento real de 20%", avaliou o presidente da Acidi, Luciano Dávila.
Para o gerente de uma loja de calçados em Poá, os consumidores estão mais cautelosos ao efetuarem compras. O crédito, por exemplo, não é mais tão utilizado. "As pessoas estão guardando dinheiro para comprar tudo à vista, então, o cartão e o crediário reduziram bastante", observou Ademir Silva Barros. "Mas, ainda assim, acredito que o faturamento deste ano possa surpreender".
Apesar da crise, o vice-presidente do Sindicato Varejista do Comércio de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio), Valterli Martinez, está otimista. "Com o pagamento da primeira parcela do 13º salário, a economia já deve ficar aquecida, por conta de dívidas a serem quitadas, e muitos consumidores anteciparem as compras de Natal, aproveitando as ofertas e promoções de alguns estabelecimentos", avaliou. "Agora, em 2016, estamos num momento de economia mais estável que em 2015, o que indica uma maior confiança e intenção de compra do consumidor".