Regularização fundiária, Saúde e Educação têm sido as principais bandeiras do governo Mamoru Nakashima (PSDB) e continuarão sendo no seu segundo governo. O prefeito de Itaquaquecetuba esteve ontem na sede do Grupo Mogi News, acompanhado da esposa, a primeira-dama Joerly Nakashima, e comentou sobre os principais desafios de administrar uma cidade com poucos recursos e ainda diante do cenário de crise que afeta todo o País.
O tucano foi reeleito no primeiro turno com 63% dos votos e prometeu dar continuidade às mesmas estratégias administrativas, como a redução de custos com aluguéis de imóveis e melhorar o atendimento da Saúde.
O prefeito ainda adiantou que cerca de 200 imóveis foram regularizados na Vila Celeste e que há mais de 1,5 mil áreas que precisam ser regularizadas na cidade, mas garantiu que a prefeitura já está trabalhando para atender a população que precisa da escritura de suas casas. O chefe do Executivo ainda lembrou que até 2018, 4 mil unidades habitacionais serão entregues na Fazenda Albor.
Mamoru falou das dificuldades em administrar um município carente, com poucos recursos e com problemas para receber repasses dos governos federal e estadual, dos quais cobrou uma participação maior do que a atual. O prefeito ainda apontou as consequências que a falta de verba está gerando na cidade.
MN: Qual é a avaliação que o senhor faz desses quase quatro anos do primeiro mandato?
Mamomu: A população pediu mudanças em 2012. Ela achou que eu fosse a mudança. Começamos um mandato difícil, com poucos recursos nos primeiros dois anos. No terceiro ano, a situação já estava melhor estruturada. Muitas coisas foram realizadas neste período, só que nós temos dificuldades na divulgação. Então, não tinha como apresentar o que foi realizado em 2013, não na magnitude que a população gostaria, mas foram feitas muitas coisas, dentro das nossas condições. Quando chegou próximo à campanha, começamos a apresentar o que foi feito em 2013, 2014 e 2015. A população achava que não tínhamos feito nada. Não é que não fizemos nada, é que não foi divulgado tanto.
MN: O que foi feito em termos de obras e projetos?
Mamoru: Nós arrumamos aquilo que já estava pronto. Reformamos, colocamos em funcionamento o que estava parado, ruim ou sucateado. Isso foi o que fizemos e, junto com elas, conseguimos realizar uma ou outra obra acoplada a esse trabalho. Mas o essencial também foi reduzir os aluguéis de vários imóveis.
MN: Qual será a meta para a próxima gestão?
Mamoru: A meta é continuar a mudança na Saúde, manter o que foi feito e melhorar o que foi iniciado nesse período do primeiro mandato.
MN: E qual será a obra que pode ser considerada o carro-chefe de sua administração a partir de 2017?
Mamoru: Não tem como se dedicar apenas a uma área em uma cidade como Itaquá. É diferente de um município já estruturado e que tem tudo em funcionamento. Temos que colocar todos os setores para andar, como Saúde, Educação, Esporte e Habitação. Depois, conforme a coisa vai andando, a gente vai melhorando. Nós investimos, sim, na Saúde, mas também investimos na Educação, na Segurança, na Infraestrutura. Levamos um pouco de investimento para todas as áreas.
MN: E vai ter algum novo projeto?
Mamoru: Temos as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) que estão em construção e estão paradas. Porém, não depende da prefeitura por problemas de repasses de recursos, por parte do governo federal. São sete obras que estão em andamento e algumas paradas. Tem a delegacia com as reformas e o Centro Dia do Idoso, que também parou. Só que estão paralisadas por problemas, devido a essa crise. Estamos com dificuldade, não só Itaquá, mas todas as cidades estão na mesma situação quando depende de recursos externos. E Itaquá é uma cidade que depende praticamente disso, porque o que arrecadamos é muito pouco. É o suficiente para manter a estrutura, mas para investir em melhorias temos dificuldades.
MN: Quais são as outras obras que estão paradas por falta de recursos?
Mamoru: A UBS do Jardim Zélia começou no meu mandato e foi paralisada porque a empresa não recebeu, o governo federal não repassou. Tem outra unidade no Scaffidi, que também parou. A UBS do Pequeno Coração está em andamento e também começou no meu mandato. Tem ainda o posto do Marengo Alto que está em andamento. Há ainda as UBSs do bairro Macedo e do Horto do Ipê que pararam, porque a empresa faliu. Essas são obras que tiveram início no governo passado, só faltam os repasses. Às vezes, a população não entende e acha que temos culpa, porque está parado. A prefeitura só assume quando estiver pronto, caso contrário, a responsabilidade é da empresa em conjunto com o governo federal.
MN: E o relacionamento com o Estado?
Mamoru: É ótimo, muito bom. Só acho que é menos conversa e mais trabalho. Essa é a época de falar bastante, prometer e não cumprir, e a população está atenta. Tenho que tirar essa responsabilidade das minhas costas e passar para quem deveria fazer, como na Segurança e várias outras áreas, incluindo o transporte intermunicipal, os terminais, que é função do Estado. Mas também foram feitas coisas boas. Na Habitação, por exemplo, liberaram vários recursos. Mas poderiam ter ajudado mais. Se o houvesse um pouco mais de boa vontade, nos ajudaria muito. Não a mim, mas a cidade.
MN: Então falta mais atenção do governo do Estado com o município?
Mamoru: Atenção ele dá, mas só atenção não é suficiente. Tem que partir para a ação.
MN: E quais são os outros setores que mais necessitam desses investimentos externos?
Mamoru: O Transporte. Precisamos de um terminal. E os três que o município tem não são adequados. Eu fui até as estações de trem nessa madrugada (ontem) e a reclamação é referente ao acesso difícil, principalmente, para pessoas idosas. São setores de competência do Estado. Esses locais estão assim desde quando eu assumi o mandato. Tem essa história de que vai fazer, mas até agora nada foi feito durante estes quatro anos. E a população cobra.
MN: O senhor sempre levantou a bandeira da regularização fundiária. Quantas áreas já foram regularizadas?
Mamoru: Posso falar que isso nunca foi feito nos últimos 30 anos. Só deixaram invadir. A meta não é regularizar, é impedir novas invasões. Estamos dificultando o máximo, impedindo essas ocupações. Também acontece de as áreas não serem invadidas. Há locais sem documento, quando o cidadão compra um imóvel, mas não passa para o nome dele. Estamos trabalhando naquelas áreas sem documentação, junto com o governo do Estado. Essa ação teve início na Vila Celeste, onde foram entregues cerca de 200 escrituras. Estamos agindo em todas as áreas, que já estão em andamento. Na Quinta da Boa Vista, são cerca de 1,5 mil unidades, e ainda tem a Vila Japão I e II. Há vários núcleos que estão nessa fase. Ao longo do tempo isso vai desenrolando. 
MN: E quanto à entrega de moradias?
Mamoru: Na Habitação, 600 unidades foram sorteadas e entregues para pessoas de Itaquá. Anteriormente, grande parte dos beneficiados era de fora. Hoje não. A demanda é de Itaquá. Há previsão ainda da entrega de mais 900 na estrada do Campo Limpo. Para 2018, são 4 mil unidades na Fazenda Albor. É uma ação que está sendo feita por meio de uma PPP (Parceria Público Privada). O governo deu o terreno, uma empresa ganhou a licitação e está responsável para montar uma espécie de cidade.
MN: O senhor conseguiu colocar a "casa em ordem"?
Mamoru: Financeiramente, a casa está em ordem, mas só que não temos recursos. Administrativamente também está em ordem. Nós fizemos um ajuste não só econômico, mas administrativo. Na parte econômica parcelamos as dívidas, mas teve um problema, que foi a recessão, por conta da crise. Se estivéssemos numa época anterior, na fase do crescimento do País, estaríamos numa situação muito melhor.
MN: Uma de suas estratégias foi eliminar os aluguéis e transferir alguns serviços para prédios próprios. Quanto foi economizado?
Mamoru: Várias unidades que estavam alugadas tiveram redução nos custos na hora de renovar o contrato. Só a estrutura da Secretaria de Educação custava R$ 120 mil e passou para outro prédio que custa R$ 23 mil. O antigo hospital era cerca de R$ 80 mil, e está alugado por R$ 45 mil. É o que fizemos na Central da Saúde. Estávamos no prédio que custava R$ 43 mil de aluguel. Hoje, pagamos o mesmo valor, só que colocamos a Secretaria da Saúde, Vigilância Epidemiológica, Vigilância Sanitária, Farmácia Municipal, Centro de Especialidades e Saúde da Mulher. Tudo num prédio só.
MN: Na última entrevista, o senhor comentou sobre as áreas que precisam de mais investimentos: Saúde, Educação e Segurança. Quais as principais necessidades?
Mamoru: Na Saúde seria a infraestrutura, a reforma das unidades existentes e o término das que estão em andamento e que não depende de mim, mas do governo federal, na questão de liberar recursos. Além disso, não deixar faltar nenhum insumo básico e preparar os funcionários. Na Educação, a principal reclamação é referente a creches e falta de vagas. Só que Itaquá tem uma particularidade. Quase 100% da população utiliza os serviços públicos. Só de crianças, Itaquá é quase do tamanho de Poá. Inicialmente, construímos algumas creches, mas só onde estava regular. Foram feitas quatro unidades neste primeiro mandato. Para fazer creche comunitária, também temos dificuldade. Mesmo assim, eram aproximadamente 5 mil crianças na demanda. Hoje caiu pela metade. Só que atendemos 2 mil e vem mais 2 mil. Então sempre vai ter déficit.
MN: E com relação à Segurança, o senhor acha que faltou investimento?
Mamoru: A grosso modo, Segurança é do Estado, mas não podemos esperar, então também colocamos a GCM (Guarda Civil Municipal) para fazer essa função, com a movimentação e a presença nas ruas. Só que é insuficiente pelo tamanho do município. Itaquá é uma cidade muito dispersa. O Caiuby, por exemplo, é um bairro de 40 mil habitantes. O Piratininga tem 50 mil. É uma cidade "esparramada" e temos o problema de logística.
MN: E tem previsão de ampliar o efetivo da GCM?
Mamoru: O principal não é ampliar. É melhorar o sistema de monitoramento com o Estado. O governo está deixando a desejar nessa área, está faltando com a população. E tudo é cobrado. O que cobram de mim é repassado. Eu repasso a responsabilidade, mas o povo não quer saber, pois se moram em Itaquá, acreditam que o prefeito é o responsável por tudo. Na segurança é a mesma coisa, só que a população também tem que participar, como nas reuniões do Conselho de Segurança. Sem a participação popular fica difícil.