Em 17 de julho de 2023, publiquei um artigo que teve como título “O Super El Niño”, termo usado por especialistas para chamar a atenção sobre as graves consequências provocada por tal fenômeno.
Pois bem, naquele momento os analistas cogitavam que o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial Central poderia superar os 3ºC, o que geraria impactos sociais e econômicos ainda mais severos do que aqueles que já havíamos presenciado. E as previsões se confirmaram. O mundo encarou eventos climáticos extremos, como calor recorde, ciclones de grande intensidade e volumosas enchentes.
Para 2026, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), uma das agências climáticas mais respeitadas do mundo afirmou que o El Niño 2026 chegou. Agora, a atenção é para as dimensões que o fenômeno pode tomar – de acordo com a agência, há 63% de probabilidade que ele se torne muito forte. Ou seja, um Super El Niño.
Em 2023, vários países sofreram com esses eventos. Na Itália, diversas cidades sofreram com elevadas temperaturas. Na Espanha, o calor extremo impôs graves consequências nas Ilhas Canárias, onde a elevada temperatura foi responsável pela ocorrência de um severo incêndio atingindo uma área superior a 5.000 hectares.
A Ásia sofreu com as enchentes e com as altas temperaturas. Coreia do Sul e China contaram seus mortos e desabrigados. Em determinadas regiões da China e no Japão foram registradas temperaturas que variaram entre 39ºC e 45ºC. Na Califórnia tivemos temperaturas variando entre 51ºC e 54ºC, onde também ocorreram graves incêndios.
Aqui no Brasil tivemos a ocorrência dos chamados ciclones extratropicais. O Rio Grande do Sul, estado mais atingido, teve muitos estragos em várias cidades, com ciclone que provocou ventos de mais de 150 km/h.
Como a agência americana NOAA está prevendo um novo super El Niño, a tendência é que o Brasil e vários outros países enfrentem novos eventos climáticos extremos, o que, necessariamente, traz consequências seríssimas para as pessoas, para a economia e para a agricultura das áreas atingidas.
E temos que aprender de uma vez por todas. Não adianta se preocupar com o problema quando ele nos alcança. Temos que pressionar nossos governantes a agirem preventivamente.
Afonso Pola (acelsopp@gmail.com) é sociólogo e professor