A internet tornou-se um recurso essencial no percurso educacional, permitindo que professores e estudantes desenvolvam aprendizagens alinhadas às tendências contemporâneas e às demandas de um período em que as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) reorganizam os modos de ensinar e aprender. Mas, para que isso aconteça, é indispensável garantir infraestrutura adequada, assegurando conexão de qualidade em todas as unidades de ensino. Com esse propósito, os ministérios da Educação e das Comunicações anunciaram que as 138 mil escolas da educação básica da rede pública estarão conectadas até o final de 2026.
Será? É o que os professores esperam. E quem vive o cotidiano escolar pode acompanhar essas implantações. Após a pandemia, houve avanços importantes. Segundo o Indicador Escolas Conectadas (Inec), em 2023 apenas 45,4% das escolas públicas tinham internet adequada. O índice subiu para 57,3% em 2024, chegou a 69,7% em 2025 e alcançou 72,9% em abril deste ano.
Hoje, o país soma 100.720 instituições conectadas dentro dos parâmetros definidos pelo governo federal. O avanço integra a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), desenvolvida em parceria com estados e municípios. O desafio é alcançar as 38 mil escolas restantes para que todas sejam contempladas.
Quem está em sala de aula sabe o quanto a internet é essencial para um aprendizado híbrido, que integra práticas analógicas e digitais. Mas, além da infraestrutura, é urgente promover uma educação digital e midiática que vá além do uso instrumental. É preciso orientar para usos éticos, responsáveis e emancipadores, estimulando crianças e jovens a produzirem, pesquisarem, investigarem e inovarem, desenvolvendo competências cognitivas, comportamentais e socioemocionais, tanto no âmbito individual quanto coletivo.
Somente assim poderão aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser - os pilares da educação definidos pela Unesco - nos ambientes em que estão sendo inseridos: o digital.
Suéller Costa (sueller.costa@gmail.com) é jornalista, pedagoga, educomunicadora e pesquisadora. Doutoranda em Educação (FEUSP). Mestre em Ciências da Comunicação (ECA/USP). Especialista em Educomunicação (ECA/USP). Sócia da ABPEducom e APEP. Idealizadora do Educom Alto Tietê. Contatos: @educomaltotiete; @suellercosta