Uma das qualidades mais elogiadas na gestão de grandes núcleos de trabalho, incluindo os cartórios, é a humanização. Fala-se em “gestão humanizada” como um diferencial positivo, a qual é marcada por certos traços.

Em primeiro lugar, destaca-se o olhar personalizado para cada pessoa, reconhecendo suas características e peculiaridades. Nada de tratar indivíduos de forma padronizada, desconsiderando sua identidade. É curioso que ao olhar para cada pessoa singularmente, enxergamos habilidades únicas.

Ao visualizar virtudes em abundância, e todos as temos, sem exceção, compreendemos que o erro faz parte de qualquer jornada, e que eles não devem ser tratados sempre com extremo rigor. 

Há uma frase no contexto do erro, utilizada em discussões sobre gestão e liderança, que me causa pavor: “no primeiro erro, corrija; no segundo, advirta; no terceiro, desligue”. O erro é inerente às organizações de trabalho, e quando não cometido de forma intencional, deve ser avaliado no contexto de cada colaborador e circunstância. A advertência e o desligamento podem ser necessários, mas não uma obrigação.

Dispor-se a ouvir as demandas apresentadas pelos colaboradores, preferencialmente sem intermediários, pode ser enaltecido como um dom do gestor humanizado. As múltiplas demandas do cotidiano afastam as pessoas de dedicar um tempo com qualidade umas às outras. Um simples gesto de parar e escutar aquele que tem algo a dizer vale ouro no ambiente organizacional e, como bônus, talvez seja entregue um presente, por meio de uma dica daqueles que compõem a linha de frente na prestação do serviço.

Por fim, a gestão humanizada caminha lado a lado com um ideal do líder de fazer aquilo que pode, com os recursos que possui, não se conformando com o estado de inércia. Há incontáveis desafios na liderança de pessoas, mas, com boa vontade e criatividade, podemos adotar medidas que gerem felicidade e uma sensação de acolhimento aos colaboradores, contribuindo para uma rotina mais leve e produtiva.


Arthur Del Guércio Neto é tabelião em Itaquaquecetuba.