A formação de professores nunca foi um luxo sempre foi uma necessidade. Hoje, mais do que nunca, ela se torna condição básica para a sobrevivência do próprio docente e para a qualidade do ensino que oferecemos. Ainda assim, é impossível ignorar um ponto incômodo: durante anos, esse processo foi negligenciado. E não dá para colocar toda a responsabilidade em um único lado.
Houve, sim, profissionais que se acomodaram. Não todos longe disso. Muitos colegas buscaram formação por conta própria, investiram tempo, dinheiro e energia para se manterem atualizados e seguem fazendo a diferença dentro e fora da sala de aula. Outros, infelizmente, ficaram pelo caminho ou optaram por deixar a educação, muitas vezes exaustos de um sistema que cobra muito e oferece pouco suporte.
Ao mesmo tempo, o poder público falhou. Durante anos, não houve cobrança consistente, nem políticas estruturadas de formação continuada que realmente dialogassem com a realidade das escolas. Criou-se um vazio. E vazio, na educação, não fica parado ele cobra seu preço no futuro.
Esse futuro chegou. Hoje, vemos uma tentativa de modernização acelerada, especialmente no uso de tecnologias. A intenção pode até ser válida, mas a execução levanta um problema sério: não se transforma prática pedagógica na base da imposição. Não se atualiza um professor por decreto.
Há profissionais que ainda enfrentam dificuldades básicas com informática, não por falta de vontade, mas por ausência histórica de formação adequada. E, de repente, exige-se que dominem plataformas, metodologias digitais e novas ferramentas como se isso fosse um processo automático. Não é.
Formação não pode ser só teoria jogada em cima de quem já está sobrecarregado. Não basta apresentar ferramentas e esperar resultados imediatos. Aprendizagem exige tempo, prática, acompanhamento e respeito ao ritmo de cada profissional.
Antonio Carlos da Silva é professor da rede pública, pesquisador e escritor