Neste mês de maio, em que celebramos o Mês da Indústria, os holofotes da economia costumam focar nas grandes corporações. No entanto, o verdadeiro motor econômico e social do Alto Tietê opera de forma mais silenciosa, porém vital: a pequena indústria. Espalhadas pela região, as pequenas metalúrgicas, confecções, usinagens e fábricas de peças são as grandes responsáveis por gerar o primeiro emprego, movimentar o comércio de bairro e sustentar milhares de famílias.
O empreendedor industrial do Alto Tietê tem um perfil notável, fortemente marcado pela resiliência, pelo trabalho árduo no chão de fábrica e por uma capacidade de inovação tática e prática. Com profundos laços comunitários, essas pequenas fábricas funcionam como elos essenciais, fornecendo produtos ágeis e sob medida que abastecem as grandes cadeias produtivas do estado.
Para honrar todo esse potencial, precisamos aproveitar o momento de celebração para refletir sobre as barreiras que ainda impedem o salto definitivo de crescimento desses negócios. O "teto de vidro" que limita nossas pequenas fábricas raramente é a falta de mercado, mas sim gargalos estruturais de gestão.
O primeiro grande entrave é a falta de gestão tributária adequada, que tem impacto na visão real das finanças e dificulta o acesso ao crédito estruturado dos bancos. O segundo ponto é a gestão financeira baseada na intuição, onde a falta de precisão sobre o custo da hora-máquina e dos insumos gera uma precificação falha, corroendo as margens de lucro. O terceiro desafio é a clareza no RH; sem descrições de cargos ou rotinas de feedback, a empresa sofre com alta rotatividade e dificuldade em reter bons talentos. Por fim, a ausência de um setor comercial ativo deixa essas indústrias reféns de indicações e dependentes de uma carteira muito enxuta de clientes.
Celebrar a pequena indústria da região neste mês é aplaudir sua garra inestimável, mas também impulsionar sua evolução. O grande salto das nossas fábricas não ocorrerá apenas com a compra de novas máquinas, mas por meio da coragem para profissionalizar a gestão.
Eberton Lima é gestor regional de Indústria do Sebrae-SP no Alto Tietê