Nos últimos dias, eu recebi retorno positivo de gestores e fazedores de cultura de várias cidades do Brasil, sobre o meu artigo nesse jornal intitulado PNAB é fomento à cultura ou loteria? A reflexão sobre os repasses do governo federal e a forma como cada município organiza os certames, parece ter cumprido o objetivo de análise, diálogo e, quem sabe, gerar ajustes práticos. Entre as mensagens recebidas, um ponto chamou minha atenção. Há um outro personagem que também precisa estar preparado para o fomento cultural: o artista!
É evidente que muitos artistas não realizam a leitura técnica dos editais, apresentam dificuldades na interpretação das publicações e enfrentam problemas básicos na organização da documentação exigida. Desconhecem, muitas vezes, não apenas os critérios de avaliação, mas também a função social dos editais.
Um fato observado é que mesmo as secretarias de culturas disponibilizando equipes para orientação da PNAB, muitas vezes a ignorância ou orgulho do artista, o impede de enxergar as necessidades de adequações. O resultado é o desmerecimento e a utilização da verborragia contra o governo municipal ou os pareceristas.
É preciso reconhecer: nós, artistas, temos um ego sensível. Somos sonhadores, profundamente apegados às nossas ideias e à nossa produção. Queremos viver da nossa arte, ou ao menos, garantir a sobrevivência por meio dela. Porém, muitas vezes nos comportamos como inexperientes na busca por recursos públicos. Porém, é necessário entendermos que esse segmento é um “mercado” onde o agente cultural precisa ter iniciativa estratégica ou especialização.
Eu mesmo, realizei um aprimoramento técnico que me permitiu disputar editais com mais chances de contemplação. Os projetos desenvolvidos nas áreas de literatura, produção cultural e audiovisual, geraram um impacto econômico e social com a contratação direta de aproximadamente 100 profissionais. Há anos o acesso ao fomento à cultura não é mais para artista amador.
Marcelo Barbosa é jornalista, pedagogo e psicanalista. Autor da trilogia “Favela no divã” e “A vida de cão do Requis”.