O mundo acompanha apreensível os desdobramentos do conflito entre EUA, Israel e Irã. Esse embate já foi ensaiado em outros momentos. Em 2020, a ação realizada com drones no Iraque e que resultou na morte do comandante iraniano Quassim Suleimani, elevou a temperatura nas relações entre o Ocidente e o Oriente Médio. Foi um ato de um estado contra o líder militar de outro estado, realizado em um terceiro estado. De acordo com algumas análises, o presidente Trump queria provocar uma guerra para tentar salvar sua reeleição.
Esse ato gerou reações imediatas em diversas nações. Coréia do Norte, China e Rússia condenaram a ação de imediato. Principais lideranças da União Europeia pediram que as partes adotassem máxima contenção e responsabilidade na condução da crise instalada.
É bom ressaltar que, nenhuma intervenção dos Estados Unidos, seja nos governos republicanos ou democráticos, jamais objetivaram a promoção da paz, da justiça, ou de qualquer coisa boa para o mundo. Toda intervenção do Tio Sam visa a exploração de riqueza.
O Oriente Médio é a região geográfica que mais viveu conflitos nas últimas décadas. Por quê? Petróleo. O mesmo acontece agora com a Venezuela e, novamente, no Oriente Médio.
Só que o Irã não é um país frágil. Tem demonstrado um poder de resistência que surpreende o ocidente. Controla o Estreito de Ormuz (ou Hormuz), por onde passa mais de 20% do petróleo produzido pelos países do Oriente médio.
Isso traz sérios problemas de abastecimento para os países europeus. Continuando ainda com a questão do petróleo, não é por acaso que o Tio Sam resolver se imiscui na vida da nossa vizinha Venezuela. Muito petróleo e mais próximo do País interesseiro.
Mas o Irã não é a sofrida Palestina. Povo que foi vítima de um genocídio explicito, com o silêncio cínico do mundo ocidental. O Irã se preparou, desenvolveu tecnologia e hoje, atinge as bases militares americanas e as cidades de Israel.
O conflito continua. Mas já são visíveis os recuos do império em clara falência. O estreito de Ormuz é apenas a ponta de um iceberg. As negociações do petróleo em outras moedas que não o dólar, é um tiro na testa da economia americana. EUA é apenas um império em decadência, e o que mais evidencia isso, é a figura patética de seu presidente, envolvido até as tampas com os relatos do Jeffrey Epstein.
E olha que o Jair Bolsonaro foi citado mais de 70 vezes nesses diálogos.
Afonso Pola (acelsopp@gmail.com) é sociólogo e professor