Os recentes números divulgados pelo IBGE mostram os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. Apesar de indicarem crescimento de maneira geral, os dados reforçam as dificuldades enfrentadas pela indústria da transformação, que recuou 0,2% no ano passado — cenário bem diferente do registrado em 2024, quando o setor cresceu 3,9%.

As informações demonstram, na prática, os efeitos dos juros altos e da taxação norte-americana sobre os produtos brasileiros. No Estado, houve retração de 8,7% nas exportações para os Estados Unidos no segundo semestre. Já no Alto Tietê, mesmo com volume inferior ao registrado no ano anterior, o país permaneceu como o principal parceiro econômico da região, adquirindo US$ 240,1 milhões em produtos.

O cenário enfrentado no ano passado resultou em perda significativa de fôlego da indústria de transformação brasileira. A redução de competitividade no mercado externo e a taxa Selic, que começou 2025 em 13,25% e terminou em 15%, são a tradução de menor capacidade de investimento por parte das empresas e em um freio para aportes mais constantes e robustos.

O resultado representa um importante sinal e uma bússola para as ações deste ano. No entanto, os dados ficam no retrovisor, enquanto a indústria segue olhando para a frente, atenta aos indicadores deste ano, que já entrou em seu primeiro trimestre.

A projeção da Fiesp é de que, em 2026, o PIB tenha alta de 1,9%. Entre os fatores que podem contribuir para esse desempenho estão a isenção do IRPF para pessoas que recebem até R$ 5 mil — medida com potencial de aquecer o consumo —, além de políticas e ações como o aumento de recursos para o programa Minha Casa, Minha Vida e a oferta de linhas de financiamento para reformas residenciais.

A indústria segue produzindo, apesar dos entraves encontrados, e espera que os investimentos e programas governamentais alcancem êxito. Da mesma forma, aguarda que a política monetária seja revista, como foco na ampliação do desempenho e da competitividade da indústria nacional.



Renato Rissoni é diretor regional do CIESP Alto Tietê