O ser humano é um ser social. Como tal ele desenvolve sua consciência de acordo com os hábitos e costumes de seu tempo e de seu espaço. Os valores sociais usados como critério para o julgamento de suas próprias ações, bem como as ações dos outros, são constituídos no âmbito das relações sociais estabelecidas.
As regras e procedimentos padronizados que orientam o comportamento de todos agem de forma coercitiva para que esses comportamentos não se contraponham aos interesses coletivos, dando assim a estabilidade necessária para a manutenção do grupo.
Em determinadas situações, tensões vividas no interior de um grupo social podem produzir uma situação de anomalia caracterizada pelo enfraquecimento do poder coercitivo das regras e procedimento, bem como dos valores sociais constituídos como critérios para o julgamento.
No caso do Brasil, particularmente nos últimos anos, temos testemunhado situações que muito nos aproximam da barbárie. Agressões verbais e físicas por questões banais são exibidas nas redes sociais, sem que os praticantes desses absurdos se importem com a exposição desses fatos.
Quem não lembra da forma como parte das pessoas se relacionou com os problemas de saúde da ex-primeira-dama, Marisa Letícia. Um vídeo gravado na tarde do último sábado, no Núcleo Bandeirante (DF), mostra um adolescente de 14 anos de idade sendo espancado por um homem de 27, incomodado pelos assobios do jovem que chamava a mãe.
Tomar conhecimento de que fazemos parte de uma sociedade capaz de produzir indivíduos assim, com comportamentos que atentam contra importantes valores que regem a vida em sociedade, nos apequena. No caso da ex-primeira-dama, tomar conhecimento que em grupos de médicos no WhatsApp existiam mensagens sugerindo procedimento para matá-la, é inominável.
A impressão que dá é que a imbecilidade vem se multiplicando. De qualquer forma é extremamente deprimente saber que estamos no mesmo tempo e lugar de figuras tão deploráveis.
Temos que reagir antes que seja tarde.
Afonso Pola é sociólogo e professor