A juventude é, em uma análise mais profunda, a força motriz de todas as paixões e inspirações que moveram a humanidade. Nas artes plásticas, na literatura, na política - exemplos não faltam sobre como jovens usaram a força de transformar seus sonhos em coisas reais. Os estudantes de 1968, dos dois lados do Atlântico que buscaram mudar o mundo que os cercavam, no Brasil e na França, são exemplos desta força inspiradora.
Com os casos do passado, surge uma nova pergunta: por qual motivo, em pleno ano de 2022, a participação do jovem em um processo eleitoral - símbolo máximo da democracia e da participação coletiva - se tornou um ponto fora da curva, a ponto de se criar uma campanha ampla, em apelos emocionados de personalidades do entretenimento e da vida pública, para que o jovem possa votar?
O valor do voto diminuiu desde o início da redemocratização? Não, causas ambientais, do bem-estar animal, contra a violência de gênero e contra a mulher não são mais nichos ideológicos, mas tornaram-se pontos basilares em nossa convivência social. Mas a percepção de que o jovem traz consigo esta força criadora perdeu-se em um mar de apatia e sensação de linhas já traçadas, rumo ao nosso cemitério.
As histórias que nos trouxeram a este ponto de nossa vida são passadas não apenas pelos livros de história e pelos filmes, mas por nossos pais, nossos tios, nossos modelos de valores. E, em algum ponto de nossa trajetória, nos tiraram a história de nossos jovens, das coisas que fizeram e as provas pelas quais passaram, onde acabaram por esconder a força transformadora do mundo, trocando a vitalidade e o sonho de fazer a diferença por compras de remédios para impotência sexual e hipocrisia.
Hoje, o apelo para que a força transformadora da juventude faça a diferença em um mundo que está à beira da morte - no meio-ambiente, na economia, na política, ou mesmo na maneira que nos relacionamos - não é apenas uma campanha de personalidades, calculada por algoritmos e estratégias de marketing. Ao jovem, não se faz apenas o apelo para que vote, mas para que retome a força que trouxe a beleza e a mudança que nos tirou das cavernas, nos aproximando das estrelas.