O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desistiu do pronunciamento que faria ontem em rede nacional de rádio e televisão para defender mais uma vez o fim de medidas de isolamento social, informou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência. Segundo o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) apurou, a ideia é aguardar até que haja uma definição no Ministério da Saúde, depois de Nelson Teich ter deixado na sexta-feira o comando da Pasta em meio à pandemia de coronavírus. Ainda não há previsão para a substituição definitiva do ministro. Com a saída de Teich, o secretário-executivo do ministério, general Eduardo Pazuello, assume interinamente.
No fim da tarde de ontem, Bolsonaro saiu rapidamente para cumprimentar cerca de 50 apoiadores que o aguardavam na portaria do Palácio da Alvorada, uma das residências oficiais da Presidência, e indicou que deve participar hoje de novas manifestações favoráveis ao governo. "Onze horas na rampa", comentou, em referência à rampa do Palácio do Planalto, de onde costuma acompanhar os protestos.
No passeio de ontem, na frente do Alvorada, Bolsonaro disse que não falaria com jornalistas. Indagado pela imprensa sobre a escolha do novo ministro da Saúde, o presidente permaneceu em silêncio.
Bolsonaro também assistiu à cerimônia de descendimento da Bandeira Nacional no Alvorada. A alguns metros, dezenas de apoiadores aglomeravam-se para tirar fotos e acompanhar a cena. Pouco antes, quando pediram para fazer um registro mais próximo, Bolsonaro negou. "Se eu chegar perto, vocês vão ver a festa que vai fazer", disse o presidente em referência aos jornalistas.
A intenção de fazer o novo pronunciamento - o sexto desde o início da crise - foi revelada pelo presidente na última quinta-feira durante videoconferência com empresários no Palácio do Planalto. "Nós temos que ter mais do que comercial de esperança, transmitir a confiança. Tanto é que vamos ter um pronunciamento gravado para sábado à noite nessa linha", disse na ocasião.
O presidente defende uma abertura geral de estabelecimentos comerciais e o chamado "isolamento vertical" - que vale apenas para idosos e doentes.
Cloroquina
Pelo Twitter, Bolsonaro voltou a defender o uso da cloroquina, que ainda não tem eficácia comprovada para o tratamento da Covid-19. Na rede social, Bolsonaro compartilhou uma frase que diz que "um dos efeitos colaterais da cloroquina, remédio baratíssimo, é prevenir a corrupção". A cloroquina tem sido indicada com precaução por médicos principalmente devido aos riscos cardíacos.
Um dos motivos que ocasionou a saída do ex-ministro Nelson Teich do governo foi justamente a pressão de Bolsonaro para que a Saúde recomendasse formalmente o uso da cloroquina até mesmo em pacientes com sintomas leves de Covid-19. Após a exoneração de Teich, Bolsonaro determinou que o ministro interino assine uma medida com a ampliação do uso da cloroquina.