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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a citar o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, em novo pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV ontem à noite. O discurso do presidente foi acompanhado de panelaços em vários pontos do país.
Mais cedo, em conversa com jornalistas e apoiadores, Bolsonaro não colocou o contexto em que a declaração foi dada e omitiu trecho do discurso em que Tedros afirma que governos de todo o mundo precisam garantir assistência a pessoas mais vulneráveis e informar sobre a duração das medidas de restrição de movimentação das pessoas.
Tedros usou sua conta no Twitter para esclarecer o assunto na tarde de ontem. "Pessoas sem renda regular ou qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que lhes garantam dignidade e permitam a elas seguir as medidas de saúde pública contra Covid-19 aconselhadas pelas autoridades médicas e a OMS", escreveu.
Na contramão do que defende o ministério da Saúde e a OMS, o presidente está tentando afrouxar as medidas de isolamento para o combate ao coronavírus. No último domingo, um dia após o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pedir para não menosprezar a gravidade da pandemia em suas manifestações públicas, Bolsonaro foi às ruas de Brasília e causou aglomerações ao visitar vários comércios locais ainda abertos. A atitude, de acordo com especialistas, pode enquadrar o mandatário no artigo 268 do Código Penal ou na Lei de Responsabilidade.
Apesar da tensão com o ministro da Saúde, Bolsonaro indicou ontem que Mandetta vai continuar no cargo. "Comigo ninguém vai viver sob tensão, está bem o Mandetta", disse Bolsonaro.
Remédios
O presidente mudou o tom, durante o pronunciamento, e reconheceu a falta de um medicamento com eficácia confirmada para o combate à Covid-19. Segundo o presidente, "o vírus é uma realidade, ainda não existe vacina contra ele (o novo coronavírus) ou remédio com eficiência cientificamente comprovada, apesar da hidroxicloroquina parecer bastante eficaz".
Mesmo sem a comprovação da atuação do remédio, o presidente elogiou a atuação das Forças Armadas para a produção do medicamento. "Os laboratórios químico-farmacêuticos militares entraram com força total e em 12 dias serão produzidos 1 milhão de comprimidos de cloroquina, além de álcool em gel", disse Bolsonaro.
Mais cedo, o presidente declarou que houve um acordo com a indústria farmacêutica para a suspensão de reajustes nos preços de medicamentos em todo o país por dois meses. O anúncio foi feito pelo Facebook, após reunião com ministros no Palácio do Planalto.
No entanto, não houve unanimidade entre associações da indústria para adiar o reajuste. O Estado apurou que algumas das principais entidades sequer foram chamadas para a negociação.
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