Definitivamente as administrações municipais entraram na era da gestão de contas públicas e prestação de serviços por meio da tecnologia. Hoje em dia, tarefas como o levantamento de dívidas ativas de IPTU ou um simples agendamento de exame num posto de saúde, apenas para ficar com dois exemplos, são realizadas por via remota, pela internet, sem a necessidade da presença física do morador no local de interesse. Com isso, tanto as prefeituras quanto as pessoas ganharam em agilidade e na cobertura do atendimento. Para aqueles mais insatisfeitos, a ouvidoria on-line recebe reclamações de falhas na infraestrutura e sugestões de melhorias de uma forma geral.
Alguns municípios extrapolaram os limites da logística operacional para avançar na criação de projetos ligados à tecnologia. Em Mogi das Cruzes, o Polo Digital e a Sala do Empreendedor, propostas direcionadas ao desenvolvimento de empresas de inovação e na assessoria e facilitação aos pequenos empresários, foram vencedores no Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor nas categorias de Inovação e Sustentabilidade e Desburocratização e Implementação da Rede Simples, respectivamente, em nível estadual.
Há, sem dúvida, o mérito pelas iniciativas municipais em utilizar a tecnologia para aprimorar a prestação de serviços. Na área de segurança, em outro exemplo, os municípios de Guararema e Suzano já colocaram em funcionamento sofisticados sistemas de monitoramento por câmeras para detectar riscos de acidentes e prevenir roubos nas ruas. A vigilância permite não apenas o resguardo de ações contra a integridade das pessoas, mas o levantamento estatístico de pontos importantes para a elaboração de planos e ações preventivas.
O problema - e sempre há um problema - é que as administrações ainda não encontraram a forma ideal de associar tecnologia e política pública. Como a situação demanda interesses distintos, equilibrar ação, legislação e benefício é exercício complexo. A maior prova está em Mogi, que acaba de conquistar prêmios de empreendedorismo, mas não consegue solucionar o dilema do transporte de passageiros por aplicativo.