Há um nítido sentimento de que a Educação no Brasil está caminhando no sentido inverso ao do restante do mundo. Enquanto nos países mais desenvolvidos, por conta da almejada melhoria do sistema como fator preponderante para o avanço do setor com o objetivo único de elevar a qualidade de vida das pessoas, por aqui tudo parece seguir na contramão.
Norte-americanos, europeus e asiáticos, concluíram que a visão holística é a melhor plataforma de atuação, incentivando a integração e o desenvolvimento de planos conjuntos de ação. Enxergar o universo como um todo e proceder de forma compartilhada são atitudes político-educacionais que denotam modernidade e estratégia globalizada.
Depois de uma passagem meteórica, que certamente não vai deixar saudades, pelo Ministério da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez foi substituído por Abraham Weintraub. A troca de comandante, porém, não acrescentou a dinâmica esperada. O ministro anunciou nesta semana, por exemplo, que pretende reduzir o investimento no ensino superior e revelou que as universidades federais terão cortes de 30% no orçamento.
A justificativa para a redução nada tem a ver com falta de recursos ou com um planejamento mais econômico e eficaz. A proposta declarada de Weintraub é enfraquecer os núcleos ideológicos de esquerda estabelecidos no comando das universidades, vistos pelo governo como os fantasmas a serem exorcizados. Ao não identificar o verdadeiro prejuízo que os cortes de verba podem representar para o futuro do país, o ministro se equivoca na ideia, acreditando que pode corrigir as diretrizes da oposição com a punição por meio do bloqueio orçamentário.
O quadro estatístico é alarmante: nos últimos quatro anos, a queda contabilizada é de 56% nos gastos com Educação, baixando de R$ 11,3 bilhões para R$ 4,9 bilhões. Com isso, não há discurso que faça as pessoas acreditarem na propalada prioridade para a área prometida pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). Remar contra a correnteza não é simplesmente uma questão de confundir o sentido direcional; é uma demonstração de falta de inteligência.