A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) comemora o aniversário de 70 anos nesta semana com um encontro de chanceleres dos países membros em Washington, Estados Unidaos. A reunião é a primeira depois de o presidente americano, Donald Trump, ter prometido designar o Brasil como um aliado fora da Otan. O país, no entanto, não entrou na lista dos temas principais do encontro destacados por autoridades americanas nesta terça-feira.
Ao receber o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, na Casa Branca, Trump elogiou o aumento de contribuição dos demais países-membros, algo que computa como um sucesso de sua gestão. Nenhuma menção ao Brasil foi feita na fala à Imprensa feita por Trump e Stoltenberg no Salão Oval.
No mesmo dia, a representante permanente dos EUA na Otan, embaixadora Kay Bailey Hutchison, falou com correspondentes estrangeiros em Washington. Ela citou os temas que serão principais no encontro de chanceleres previsto para hoje. O Brasil não estava na lista dos assuntos mencionados por ela.
O assunto prioritário, segundo a embaixadora, é o comportamento da Rússia contra a Ucrânia. Além disso, ela listou como parte da agenda do encontro da aliança militar as ações de contraterrorismo, o Afeganistão, a violação pela Rússia do tratado sobre armas nucleares de alcance intermediário e a divisão dos custos da organização.
Desde que chegou à Casa Branca, Trump pressiona os demais membros - e principalmente a Alemanha - a arcarem com ao menos 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) com defesa. Os EUA alegam gastar 4% do PIB. "A repartição de despesas é algo no qual o presidente tem focado", disse a embaixadora. No Salão Oval, Trump falou que houve um aumento "sideral" nas contribuições dos demais membros.
A promessa de designar o Brasil como um aliado preferencial fora da Otan foi computada pelo Itamaraty como uma das grandes conquistas da visita do presidente Jair Bolsonaro (PSL) aos EUA. O status facilita a aquisição de equipamentos e cooperação militares. A Rússia criticou Trump por ter afirmado que poderia trabalhar para que o Brasil fosse um membro pleno da aliança militar.