Os caminhoneiros não ficaram satisfeitos com o pacote de medidas anunciadas ontem pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Nos grupos de WhatsApp acompanhados pela reportagem, o plano foi visto como uma "cortina de fumaça", uma forma de protelar uma possível greve dos motoristas. Alguns já falam em nova paralisação em 21 de maio - exatamente um ano depois da greve que paralisou o país. Os caminhoneiros afirmam que não estão pedindo dinheiro, mas sim melhores condições de trabalho.
Nas discussões, eles afirmam que soluções como a linha de crédito para manutenção do caminhão, com taxas menores, já foi testada em outras ocasiões, sem ser colocadas em prática. 
A grande reclamação é que a situação dos caminhoneiros está tão precária que poucos conseguiriam ter acesso ao crédito. Muitos, dizem eles, estão com o nome sujo. Além disso, pegar crédito agora seria decretar a morte dos motoristas em alguns anos. "Estão dando a corda para gente se enforcar", avisou um deles.
Logo após o anúncio da linha de crédito, Wallace Costa Landim, o Chorão, um dos líderes dos caminhoneiros, disse que a medida agradava a categoria e até poderia evitar a greve, mas esperava uma manifestação de Bolsonaro para bater o martelo. "Inicialmente, claro que o pacote agrada (a categoria). Mas preferimos aguardar o que o presidente vai falar para comunicar oficialmente o posicionamento dos caminhoneiros", reforçou o líder. 
Além do programa do crédito para o caminhoneiro, o governo vai  liberar R$ 2 bilhões do Orçamento do Ministério da Infraestrutura para conclusão de obras  de rodovias essenciais. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, afirmou que o governo vai concluir a pavimentação da BR-163 até Mirituba (PA) e finalizar a rodovia na parte que depende do governo federal. "O governo não vai deixar faltar recursos", garantiu.