Na obra "O futuro da democracia", mais precisamente no capítulo "a democracia e o poder invisível", Noberto Bobbio - filósofo, escritor e senador vitalício italiano - identifica a democracia como o governo do poder visível e enfatiza que nela nada pode permanecer confinado no espaço do mistério. Portanto, quando existe a prevalência de interesses privados no âmbito do poder público não há espaço para a democracia.
Ainda de acordo com este importante filósofo político que faleceu em 2004, governos verdadeiramente democráticos não omitem informações. É da essência do poder democrático seu exercício de forma transparente e com a participação consciente dos cidadãos em suas diferentes instâncias de decisão.
No caso do Brasil, a carência de tais princípios é generalizada. Atinge, com pequenas variações de intensidade, aos diferentes níveis dos poderes. E isso tem trazido para o nosso país incontáveis prejuízos. Por décadas temos tomado conhecimento de casos de corrupção envolvendo representantes de grupos privados e agentes públicos. Em alguns poucos casos tivemos punição, mas na maioria deles seus praticantes nada pagaram. Mas existe algo que se repete em todos eles de forma inexorável: a ausência de transparência no trato da coisa pública. Essa é a regra que orienta as ações daqueles que governam nossas instituições públicas.
Infelizmente, mesmo sendo fácil identificar aquilo que é padrão em todos os casos de corrupção, não temos sido eficientes em seu combate. Tanto é que os escândalos envolvendo agentes públicos dos três poderes brotam em toda parte. A apuração desses casos com o objetivo de identificar os responsáveis, além da abertura de processo para julgamento e condenação dos culpados são ações absolutamente necessárias. Só que elas servem como resposta para atos já cometidos.
O Brasil precisa desenvolver mecanismos que coíbam tais práticas. Precisamos agir para prevenir e, nesse caso, a transparência é o melhor caminho.