Entidades educacionais viram como positivo o recuo do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, que determinou ontem a retirada do trecho de um e-mail enviado a todas as escolas do país em que pede a gravação de um vídeo das crianças perfiladas para cantar o Hino Nacional. Ele também disse que "percebeu o erro" de inserir o slogan da campanha de Jair Bolsonaro (PSL), "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos". Segundo advogados ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, a medida poderia levar o Ministério da Educação (MEC) a ser questionado judicialmente.
A presidente do conselho que reúne os secretários estaduais de educação (Consed), Cecília Motta, diz que a entidade não vê problema em se propor uma mensagem de boas-vindas em que se sugere que o Hino seja cantado, mas, sim, na utilização de um slogan de governo e filmagem. "É preciso ter muito cuidado com o que é enviado, porque qualquer mensagem encaminhada por um órgão como o MEC, mesmo que seja um pedido, pode ser entendida como uma determinação. Sem falar que essa iniciativa poderia ter sido conversada com os Estados e municípios".
Para Olavo Nogueira Filho, diretor de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, o recuo é positivo, mas não minimiza a preocupação do setor. "Mesmo com o recuo, é mais uma sinalização de que o MEC continua focando em um tema que não tem a urgência de outros problemas. Era de se esperar que, em dois meses à frente da pasta, já se tivesse apresentado com maior clareza os caminhos para enfrentar as reais dificuldades da educação brasileira, que é a defasagem da aprendizagem", diz.
A medida foi questionada por escolas e famílias de alunos. Ainda na segunda-feira, o Consed afirmou, em nota, que a ação fere não apenas a autonomia dos gestores, mas também os entes da Federação.