O clima nos cemitérios de Brumadinho (MG) era de consternação. Desde ontem de manhã, a movimentação no início do quarto dia do desastre, era para receber os primeiros dos 19 mortos identificados. Segundo levantamento do Corpo de Bombeiros, pelo menos 60 pessoas morreram no desastre
O motorista Mauricio de Lemos, de 53 anos, foi o primeiro a ser enterrado no cemitério Parque das Rosas, no bairro Salgado Filho. Desolada, a filha dele, Juliana, afirmou, durante a cerimônia, que o pai contava em casa que teria transportado sacos de areia para a área da barragem. "Aquilo lá foi uma tragédia anunciada", disse Juliana.
Ainda pela manhã, foram enterrados no Parque das Rosas outros dois trabalhadores. David Marlon Gomes Santana, de 24 anos, que segundo documentos do Instituto Médico Legal (IML). Ele trabalhava para uma empresa terceirizada. Depois, foi a vez de Francis Marques da Silva, de 34 anos, também politraumatizado na avalanche de lama que escorreu morro abaixo. "Isso aqui é muito difícil, amigo", afirmou Rafael Carlos da Silva, de 21 anos, amigo de Santana, que chegou ao cemitério acompanhado pelo amigo Rafael de Oliveira dos Santos, de 23 anos "O David foi nosso colega de trabalho", contou Rafael Silva. De acordo com fontes da família, o corpo foi resgatado na manhã de domingo.
Segundo a prefeitura, há enterros que não devem nem contar com velórios. Uma rápida cerimônia de despedida marcou o funeral de David Marlon, no cemitério Parque das Rosas, minutos antes do sepultamento. Foi assim também com Francis, que deixa uma filha
O enterro de Renato Rodrigues Maia, também resgatado da tragédia, foi no cemitério central, ao lado do centro da cidade, onde foram feitos velórios. No início da tarde, fontes do serviço funerário do município informavam que outras cinco vítimas deveriam chegar para sepultamento.