Em reportagem publicada ontem nos jornais do Grupo Mogi News sobre a Campanha de Vacinação do sarampo e a paralisia infantil, pareceu ficar claro que a procura pela imunização ainda é baixa na região do Alto Tietê. Isso preocupa não só as prefeituras da região, mas também a população, afinal, a meta estipulada pelo Ministério da Saúde é aplicar as doses em 95% das crianças entre 1 e 5 anos, para garantir uma barreira competente contra ambos os vírus.
Quando essa rede de proteção possui brechas, essas doenças encontram guaridas nas crianças que não passaram pelas imunizações e, pelo poder monumental de se espalhar, contaminam outras pessoas próximas, também sem imunização, e pronto, temos um surto.
É preciso descobrir o que se passa nas mentes dos pais de hoje em dia, que preferem não levar os filhos a tomar a vacina. No último sábado ocorreu o segundo "Dia D" e, tal qual o primeiro, mostrou um número muito aquém de crianças que precisam ser vacinadas. Antigamente, no começo do século passado, a população desconfiava da eficácia de uma vacina por não entender como um vírus enfraquecido poderia ser injetado sem causar nenhum mal. Vale lembrar que esse episódio ocorreu no Rio de Janeiro, em 1904, quando a informação era uma matéria-prima escassa. Muito diferente de hoje, que podemos acessar praticamente qualquer dado confiável em uma rápida busca em jornais, revistas, televisão e rádio.
Ainda assim existem grupos que preferem acreditar em teorias conspiratórias, apontando que vacina causa autismo ou que o governo tem o vil objetivo de aniquilar parte da população por meio das campanhas, assim sobraria mais espaço, a economia giraria melhor e não haveria tantos gastos. Há um infinito de publicações científicas e leigas que atestam o funcionamento das vacinas. Deixar de receber as doses, sejam elas para a pólio, sarampo, ou qualquer outra enfermidade que possa ser evitada com uma simples aplicação, é voltar ao Rio de Janeiro do início do século passado.