O processo de crescimento dos municípios passa por etapas bem delineadas. Como elemento propulsor, a economia envolve, de maneira simples, um cálculo da diferença entre receitas e despesas, o que não é novidade alguma. Para avançar no desenvolvimento, porém, as cidades precisam investir em questões estruturais, que não podem ser alimentadas somente com a arrecadação básica gerada pelos impostos. Estes fazem a máquina administrativa funcionar, quitando os compromissos trabalhistas e as despesas fundamentais para funcionamento, como água, energia, combustível e serviços. Entretanto, é preciso mais.
Neste aspecto, a matéria publicada no domingo pelo Grupo Mogi News a respeito do endividamento dos municípios dá um bom indicativo do quanto as cidades estão preocupadas com o crescimento. Conceitualmente, o valor declarado de
R$ 324 milhões como dívida é preciso ser interpretado como investimento, pois representa gastos com obras de melhoria e desenvolvimento de projetos futuros, que possam ser transformados em dividendos para habitantes da região.
No caso de Mogi das Cruzes, que detém a maior dívida de acordo com o levantamento do Banco Central - mais de R$ 284 milhões, - boa parte desse dinheiro está sendo gasto na construção de uma estação de abastecimento de água e no tratamento de esgoto. São obras que melhoram a qualidade de vida dos moradores, mas que não têm a mesma visibilidade de outras, como a abertura de rodovias. Já Suzano, cuja dívida é de R$ 23,4 milhões, investiu quase a metade disso na conclusão da arena, um ginásio poliesportivo que estava parado há mais de 25 anos. Somente no primeiro final de semana de funcionamento, a instalação recebeu mais de 20 mil pessoas.
O secretário de Planejamento e Finanças de Suzano, Itamar Correa Viana, classifica o montante como "dívida boa", ou seja, aquela que está dentro da previsão orçamentária e sendo paga criteriosamente em dia. Assim, as administrações têm demonstrado a sensatez de recorrer a financiamentos federais para gerar benefícios aos munícipes e com a segurança da adimplência.