Quando o secretário de Transportes de Mogi das Cruzes, José Luiz Freire de Almeida, afirmou, no dia 16 de abril deste ano, durante uma reunião com moradores e comerciantes da avenida Capitão Manoel Rudge, que "estamos iniciando uma discussão com a comunidade para buscar melhoria na mobilidade urbana e na segurança dos pedestres", parecia que estava inaugurando uma espécie de administração participativa.
Na ocasião, a proposta formulada pela Prefeitura consistia, basicamente, na transformação da avenida em mão única, no sentido centro-bairro, o que, segundo análise do Executivo, poderia aprimorar o fluxo de veículos e ampliar a segurança das pessoas que transitam pela região. Também foi positiva a decisão de disponibilizar o projeto, durante 45 dias, no site da prefeitura para que os munícipes pudessem dar sua opinião e sugestões a respeito das mudanças no trânsito.
Na última quarta-feira, praticamente dois meses depois da primeira reunião, o próprio secretário veio a público para apresentar os resultados da pesquisa e a decisão de manter tudo como está, ou seja, o trânsito na região da Vila Oliveira continua sem alteração. De acordo com a pesquisa via site, das 142 pessoas que participaram, 81 se mostraram contrárias às mudanças. Na pesquisa in loco, a administração ouviu 363 pessoas, das quais, 214 discordaram das alterações.
O plebiscito em que se transformou a discussão colocou como oponentes, na prática, os comerciantes e os pedestres. Os primeiros, priorizam a questão da visibilidade, fruto do maior volume de tráfego de veículos, como essencial para a manutenção das vendas e o retorno financeiro necessário para sua subsistência. Já os pedestres se mostraram preocupados com a segurança pessoal e a tranquilidade para circular pelas calçadas.
O resultado final não é surpresa alguma, afinal, a Manoel Rudge há tempos se transformou em um promissor corredor comercial, afastando, naturalmente, os habitantes da região. Com o embate entre as duas forças, fica evidente que as decisões foram tomadas mais no sentido político-financeiro. Aos moradores, resta lamentar.