O debate sobre a perda de água pelos municípios não é nenhuma novidade. Assunto recorrente enfocado de forma séria pela mídia nos últimos tempos, passou a ser tema de frequente atualização pelos veículos informativos, tanto na questão do desperdício, quanto na alarmante crise hídrica, que se acentua no período do inverno por conta da ausência de chuvas.
Reportagem publicada no domingo passado pelo Mogi News e jornal Dat mostrou que o levantamento da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), aponta atualmente uma perda de 33,4% de água nas cidades do Alto Tietê abastecidas pela empresa. Em Mogi das Cruzes, que é atendida pelo Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae), a situação é ainda pior: o índice de desperdício é de 48,7%.
No auge da crise hídrica, nos anos de 2014 e 2015, quando os reservatórios que abastecem São Paulo, inclusive os do Sistema Produtor Alto Tietê, operaram com reservas abaixo de 10%, muito se falou sobre as alternativas para reduzir o consumo pela população e também sobre campanhas para reduzir o desperdício de água, que já era altíssimo, assim como hoje.
As pessoas passaram a ser praticamente vigiadas, tendo de evitar, por exemplo, de lavar calçadas e veículos, sob o risco de sofrerem sanções. A população ainda enfrentou sobretaxas no consumo de água, o que encareceu as contas. Muitas residências criaram alternativas para o reúso da água da chuva, com a ampliação de caixas d'água e reservatórios específicos. Na época, as ações populares contribuíram significativamente para o reequilíbrio no abastecimento.
O que parece não ter solução, entretanto, é como reduzir a perda de água. Já naquela época, o índice de desperdício era semelhante ao atual e os motivos, de conhecimento público. Hoje, três anos depois, as justificativas continuam as mesmas. Sabesp e Semae se defendem atribuindo às tubulações antigas e fraudes a responsabilidade. Está na hora das empresas tratarem as causas com maior rigor e pensarem em manutenções mais eficientes, no caso dos vazamentos, e punições mais severas para os fraudadores.