A imigração japonesa completou ontem 110 anos no Brasil. É um marco histórico, principalmente na região do Alto Tietê, onde a colônia nipônica está praticamente desde o início do século passado e é responsável por muitos fatores de transformação nos municípios.
O desenvolvimento agrícola na região se deu com a chegada dos primeiros japoneses. Tendo encontrado um clima propício na região, eles se estabeleceram e desenvolveram a cultura de hortaliças, colocando o Alto Tietê como grande produtora no Estado, chegando a abastecer praticamente 70% do mercado de São Paulo nos anos 1960, o que lhe deu o apelido de Cinturão Verde.
A segunda geração, hoje por volta dos 90 anos, já começa a ocupar um pouco mais de espaço no setor comercial, criando lojas e também apostando na área de serviços. Mas o foco ainda era o campo e muitas áreas foram valorizadas, como o Cocuera e Biritiba Ussu, em Mogi das Cruzes, além das cidades de Biritiba Mirim, Salesópolis e Suzano.
Um pouco mais ousada e já percebendo as limitações do setor agrícola, a terceira geração, também aproveitando o desenvolvimento das universidades em Mogi, começa a explorar profissões como a engenharia e a medicina, fora das áreas tradicionais ocupadas pela colônia. Com o Japão tendo superado a crise pós-guerra, principal motivo que trouxe os primeiros japoneses para o Brasil, boa parte dessa geração faz o caminho de volta, e retorna ao Oriente em busca de melhores rendas e de estabilidade financeira.
Hoje, já estamos na quarta linhagem. Os descendentes não têm mais um espaço restrito. Em qualquer canto e segmento, é possível encontrar um representante da colônia. Atualmente, por exemplo, o Alto Tietê possui dois prefeitos de origem nipônica, o de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, e o de Itaquaquecetuba, Mamoru Nakashima, que também é médico por formação. Outros tantos já ocuparam e ainda ocupam cargos de destaque.
Hoje, 110 anos depois, muito do desenvolvimento regional se pode creditar à contribuição dos imigrantes. Talvez a maior lição que eles nos ensinaram é a de nunca ter deixado de acreditar no potencial brasileiro.