Em meus tempos de criança, ao cair da tarde, sentava-me ante um televisor que transmitia em preto e branco, na casa de meu avô, e deleitava-me com um seriado que mexia com minha imaginação. A cada semana a família Robinson vivia os seus percalços, perdidos no espaço.
Will, com o seu robô engraçado - sonho de consumo para nós, crentes garotos de então - o Dr. Smith, vilão hilário e atrapalhado; Don, altruísta componente da fantástica expedição; por breves instantes me entretinham e me levavam com eles a perambular pelo espaço sideral!
Não existiam efeitos especiais; cores, repito, nem pensar; mas a inocência era uma constante prazerosa que superava qualquer deficiência!
Confesso que, tentando reviver o passado, e, ao mesmo tempo mostrar ao meu filho os meus divertimentos de outrora, comprei a coleção completa, assistida por ele, para a minha felicidade, com o maior deleite.
Semana que passou, descobrimos, em canal pago, série moderna do mesmo filme, e levados pela experiência anterior, de imediato nos propusemos a vê-lo. Que decepção! Não porque os meus velhos ídolos já não estrelavam a série. O passar dos anos, ou envelheceu-os, ou levou-os para outras paragens, substituindo-os por alguns de discutíveis talentos!
Seguindo o politicamente correto" Smith passou a ser mulher, dona de violência invulgar, que, na busca de obter os seus objetivos, já no primeiro capítulo, mata a irmã e outra pessoa - aliás, nos demais, agride, machuca, e usa de uma série de falsidades para manipular os seus pares!
O encantador robô, agora é maquina alienígena exterminadora, que, também de início, mata 27 pessoas!
Don se firmou como materialista, que, mesmo nas situações mais difíceis do grupo, pretende vender os seus favores!
Enfim, o que era doce se transformou em história bem a gosto dos espectadores modernos, a quem tais realidades já não assustam!
Conformado, pergunto, somente: em que curva da vida ficou a paz de espírito e a inocência?