Depois de muita especulação nos últimos dias, com muita pressão política de um lado forçando a reabertura da rodovia Mogi-Bertioga (SP-98) e, de outro, a supremacia imposta pelos dados técnicos que indicavam a manutenção do bloqueio, foi tomada a decisão correta. Na manhã de ontem, após vistoria realizada pelos especialistas do Instituto Geológico, da Defesa Civil do Estado e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), ficou decidido que, pelo menos nos próximos cinco dias, a estrada permanecerá fechada.
A bem da verdade, a história da rodovia sempre esteve envolvida por questões políticas, ficando para segundo plano as características técnicas. Sua origem vem das ideias visionárias do ex-prefeito Waldemar Costa Filho que, num momento mais inspirador, "inventou" a construção da estrada. Lá pelos anos de 1970 do século passado, ele declarava que a ligação com o litoral era um sonho de mais de 30 anos da população mogiana. E ele seria o responsável por tornar realidade o desejo das pessoas.
Aproveitando o bom relacionamento com os órgãos estaduais, proporcionado pelo seu padrinho, o então governador Paulo Maluf, Waldemar realmente fez a estrada e a inaugurou em 1982. Mas com um agravante: a verba para sua construção era muito inferior ao necessário para uma obra daquele porte, e a opção foi desenhar um trajeto econômico, cujo traçado ocupava boa parte das encostas da serra, sujeitas a toda espécie de desmandos da natureza. E assim foi feito.
Bertioga, que era um esquecido distrito de Santos, votou sua emancipação política-administrativa em 1991. Com a autonomia, pôde se desenvolver e se transformar no município que oferecia o lazer tão esperado pelos mogianos. O tempo passou, a população aumentou, o movimento na estrada multiplicou e os problemas foram aparecendo, quase sempre descobertos pela soma imponderável das chuvas de verão com um solo pouco firme.
Ainda hoje, quando há uma queda de barreira na rodovia, que a bloqueia, surgem frentes de discussão que opõem interesses. Desta vez, pelo menos, prevaleceu o bom senso.