Reduzir o pensamento político a direita e esquerda é temerário e impreciso. A propósito, muitas molduras que delimitam o ideário me parecem pretensiosas, à medida que consideramos a capacidade de elucubração e variação de ponderação por parte de cada pessoa. De qualquer forma, hoje no Brasil, como há muito não acontecia, vemos um embate entre agendas antagônicas e isto, em boa medida, é saudável para o país, especialmente, quando observamos a completa ausência de debate nas últimas décadas.
Ocorre que, infelizmente, os que se interessam por política e/ou fazem parte dos partidos têm-se revelado incapazes de discutir no nível necessário, de forma que o diálogo seja produtivo. São impressionantes o superficialismo, a tratativa rasa, as distorções de pressupostos e conceitos por trás dos argumentos, de forma que muito do que se lê e ouve está contaminado. Mais impressionante ainda é que a disposição da maioria parece ser no sentido mais maquiavélico possível, ou seja, vale tudo no discurso e nas ações, desde que se atinja o objetivo que é a obtenção e/ou a manutenção do poder.
A enxurrada de mentiras, fake news, distorções da verdade, destaques indevidos, propaganda tendenciosa, focos exagerados da mídia, desequilíbrio e injustiça nas análises e exposições são de dar asco. Na ponta consumidora desse turbilhão de informações complexas, imprecisas e duvidosas está o eleitor, muitas vezes disperso e incauto. Por outro lado, há um país que precisa subsistir para experimentar o que será depois das eleições, ora sob um governo que enfrenta toda a sorte de dificuldades.
No meio disso tudo, ainda temos que nutrir esperança e mesmo que só Deus saiba em que vai dar, cada cidadão deve buscar forças para se envolver mais com a política e amealhar conhecimento para discernir quem está mais revestido de honestidade intelectual e sinceridade de propósito e quem está jogando sujo, simplesmente, para obter ou se manter no poder, lembrando que o jogo principal só está começando!