O ano está acabando. É hora de avaliarmos como o Brasil se comportou durante o ano de 2017. Começamos e terminamos com uma série de incertezas, assim como já havia ocorrido em 2016. As crises (política, econômica e institucional) ganharam profundidade assustadora. O desemprego atingiu índices alarmantes nos diversos segmentos sociais.
Os sucessivos envolvimentos de ministros e do próprio presidente em denúncias de corrupção, em paralelo ao avanço de ações para inibição da Operação "Lava Jato", ganharam espaço permanente na mídia, comprometendo de forma intensa a credibilidade das instituições que sustentam nossa democracia.
Considerando os dados das últimas pesquisas, temos um governo absolutamente desprestigiado com elevadíssimos índices de reprovação e que atua junto a um congresso nacional também desprovido de credibilidade, impondo a toque de caixa, reformas que vão afetar profundamente a vida das pessoas.
A reforma trabalhista já exibe resultados muito preocupantes. A Universidade Estácio de Sá demitiu de uma só vez 1,2 mil professores sem nenhuma justificativa. Especula-se que a instituição queira contratar professores via "contrato intermitente", com os professores ganhando apenas as horas trabalhadas. É importante ressaltar que a remuneração ganha pelos professores além das horas aulas dadas é uma forma de remunerar o trabalho doméstico que esse segmento em função da preparação das aulas e correções de trabalhos e provas. É bem provável que outras instituições de ensino busquem o mesmo caminho, o que indica maior precarização do trabalho docente, o que implica na redução da qualidade de ensino.
Tal reforma deve, além de precarizar e reduzir a média salarial em algumas profissões, deve também estimular a pejotização. Esses dois fenômenos devem impactar negativamente a receita da previdência social, outra reforma que o governo e parte do congresso querem enfiar goela abaixo dos brasileiros.